
Convenio FENIPE e FATEFINA Promoo dos 300.000 Cursos Grtis Pelo Sistema de Ensino a Distancia - SED
CNPJ  21.221.528/0001-60
Registro Civil das Pessoas Jurdicas n 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 v, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984
Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira
Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira


APOSTILA N. 04/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 61 PAGINAS.


Apostila 04

Estudo da Antropologia
Dividida em 07 partes do estudo da Teologia sobre A LIBERDADE HUMANA

Parte I
Estudo da Antropologia - divido em 61 paginas.
 
Quando estudamos a doutrina do Homem, torna-se inevitvel enfrentarmos a questo da liberdade. Os telogos reformados, os chamados calvinistas, tm sido criticados 
como algum que no cr que o homem seja livre. Isto no  verdade, e os membros da IPO que tm acompanhados os ltimos estudos, j perceberam isso. Ns cremos que 
o homem tem liberdade sim, mas a questo que precisamos definir muito bem : O que  ser livre? O que entendemos por liberdade?

Muita confuso j tem sido criada em torno do termo "livre", e isto porque ele pode ser visto em vrios sentidos.

A maioria dos nossos irmo na f diz acreditar no "Livre Arbtrio" Contudo, a maioria no tem a menor idia do que isto significa.

A vontade, faculdade que todo homem tem, tem sido exaltada como a fantstica capacidade que a alma tem para discutir sobre coisas, fatos da vida.

Mas as pessoas esto dizendo que o arbtrio (vontade)  livre, precisamos perguntar: De que a vontade  livre? De que ela  capaz?

Para provar que arbtrio (vontade) no  livre lano mo de 2 proposies: 

O Mito da Liberdade Circunstancial: 

A vontade pode ser livre para planejar, mas no para executar. Quando se diz que a vontade  livre, obviamente no quer dizer que ela determina o curso da nossa 
vida.

No escolhemos doena. pobreza ou dor; No escolhemos nossa condio social, nossa cor, ou nossa inteligncia.

Ningum pode negar que o homem tem vontade, e que esta faculdade de escolher o que dizer, fazer, pensar, etc. ... tem nos frustrado bastante. Pensando em nossa liberdade 
circunstancial, podemos projetar um curso de ao, mas no podemos realizar o intento. Em outras palavras, nossa vontade tem a capacidade de tomar uma deciso, mas 
no o poder de realizar seu propsito. ( PV 16:9; Jr 10:23; Lc 12:18-21)

Sim. O homem pode escolher e planejar o que tiver vontade. Mas a sua vontade no  livre para realizar nada contrrio  vontade de Deus.

O Mito da Liberdade tica: 

Diz-se que a vontade do homem  livre para decidir entre o bem e o mal. Mas  livre do que?  livre para escolher o que?

A vontade do homem  a sua capacidade de escolher entre alternativas. A sua vontade, de fato, decide qual a sua ao entre um certo nmero de opes.

Nenhum homem  compelido a agir contrrio  sua vontade, nem forado a dizer aquilo que no quer. Sua decises no so formadas por uma fora externa, mas por foras 
internas.

A vontade toma decises, e estas decises tomadas no esto livres de influncias. O homem escolhe com base nos sentimentos, gostos, entendimentos, anseios, etc. 
Em outras palavras, a vontade no  livre do homem mesmo. Suas escolhas so feitas pelo seu prprio carter. Sua vontade no  independente de sua natureza.

A vontade  inclinada quilo que voc sente, ama, deseja e conhece. Voc sempre escolhe com base em sua disposio; de acordo com a condio do seu corao.

A Bblia diz que nossa vontade no  livre, ao contrrio, ela  escrava do corao - ( Gn 6:5; Rm 3:12; Jr 13:23 ).

A capacidade de escolha do corao do homem  livre para escolher qualquer coisa que o corao ditar; assim, no existe qualquer possibilidade de um homem escolher 
agradar a Deus sem que haja a prvia operao da Graa Divina. Note o texto bblico: "Ns O amamos porque Ele nos amou primeiro" I Jo 4:19 

Se carne fresca e salada de tomate fossem colocadas diante de uma leo faminto, ele escolheria a carne.  a natureza que dita sua escolha ( Jr. 13:33 ) 

Por isto no existe livre arbtrio. O arbtrio humano, assim como toda a natureza humana,  inclinado s e continuamente para o mal. (Jr 13:23).

No existe livre arbtrio a menos que Deus mude o corao e crie um novo corao em submisso e verdade, o homem no pode decidir por Jesus para Ter a vida a vida 
eterna. ( Jo 3:7; Ez 11:19; 36:26; Atos 16:14 ). 

A vontade no  livre. Pelo contrrio, ela  escrava, escrava do corao pervertido; escrava da natureza ( Jr. 17:9; 12:2; Mc 7:6,21 ).

Foi a vontade de escolher o fruto proibido que nos atirou na misria. S a vontade de Deus tem realmente liberdade, e se quiser pode dar vida. (Jo 1:12-13)

A ORIGEM DA VERDADEIRA LIBERDADE 
(posse non peccare) 

Definio: Liberdade  a capacidade de fazer o que  agradvel a Deus.

Quando Ado e Eva foram criados, tinham a capacidade de escolher como a verdadeira liberdade. Nas palavras de Agostinho, nossos primeiros pais eram "capazes de no 
pecar" (posse non peccare). Eles poderiam permanecer no estado de tentao que a serpente lhes imps.

Ado tinha o Livre arbtrio, tinha a capacidade de fazer a escolha certa. Possua a verdadeira liberdade. Contudo, ainda no era a liberdade perfeita; era verdadeira, 
porm no perfeita. Pois havia a possibilidade da queda.

Note as palavras da Confisso de F de Westminster, Captulo IX, seo 2

"O homem, em seu estado de inocncia, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que  bom e agradvel a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair 
dessa liberdade e poder"

A VERDADEIRA LIBERDADE  PERDIDA 
(non posse non peccare)

Quando nossos primeiros pais ( Ado e Eva ) caram em pecado, perderam aquela Liberdade que o Criador lhes havia dado. Perdeu no a capacidade de escolher, mas a 
verdadeira liberdade, ou seja, perdeu a capacidade de escolher aquilo que agrada a Deus.

Novamente fazemos meno do pensamento de Agostinho. Diz ele: podemos dizer que antes da queda, o homem era "capaz de no pecar". Aps a queda  "no ser capaz de 
no pecar" (non posse non peccare)

As Escrituras ensinam de maneira muito clara que a humanidade decada perdeu a sua verdadeira liberdade. (Joo 8:34; Romanos 6:6,17-20 )

A VERDADEIRA LIBERDADE  RESTAURADA
(posse non peccare) 

No processo de redeno, o homem decado comea a restaurar sua liberdade perdida na queda.

Agostinho chamou o estado do homem regenerado de "posse non peccare" - posso no pecar, porque a redeno significa libertao da "escravido vontade".

Vamos dar um olhada em algumas passagens das Escrituras que mostram que a liberdade para fazer a vontade de Deus,  restaurada na regenerao, operada pelo Esprito 
Santo em ns. (Jo 8:34-36; Gl 5:1,12,13; II Co 3:17-18; Rm 6:4-6; 14-18; 22 )

A verdadeira liberdade no  licena para pecar ; no significa fazer o que bem quiser. Segundo o apstolo Pedro (I Pe 2:16), quem tem liberdade, usa-a para servir 
a Deus.

O exerccio de nossa liberdade envolve nossa responsabilidade neste processo que chamamos de santificao.

A VERDADEIRA LIBERDADE APERFEIOADA 
(non posse peccare).

Em nosso processo de santificao, que  a verdadeira liberdade no processo de redeno, ainda podemos pecar, mas no estado glorificado, na vida por vir, nossa liberdade 
ser aperfeioada. Ento, como disse Agostinho; estaremos no estado "no posso pecar" (non posse peccare).

Quando estivermos com nossos corpos glorificados, j no seremos mais impedidos em obedecer a Deus com a perfeio que Ele deseja.

Cf. I Co 15:42-43 ; Ap 21:4

Esta glorificao no ser apenas na alma, mas tambm no fsico. A Imago Dei, ( Imagem de Deus ) antes ofuscada por causa do pecado de Ado, chegar a sua perfeio 
por ocasio da Segunda Vinda de Cristo, quando ento, seremos ressuscitados e habitaremos para sempre com o Senhor (cf. I Tes. 4:13-18).

o estado final dos Santos Glorificados 

Na nossa glorificao, seremos restaurados novamente  perfeita imagem de Deus. Em nosso estado glorificado, vamos poder refletir Deus em sua plenitude. Reporto-me 
ao Dr. Van Groningen, que afirmou que Deus ao nos criar  sua imagem e semelhana nos deu trs mandatos que delineiam os deveres pactuais de Deus com o homem: So 
eles: os mandatos Espiritual, o Social e o Cultural.

A glorificao ( a imagem aperfeioada ) implica em que :

A. O Homem passar a ter um relacionamento perfeito com Deus. ( Mandato espiritual )

De acordo com as Escrituras, os remidos na glria vo poder desfrutar da comunho plena com Deus; vo Ter uma viso de Deus na face de Cristo ( ap. 22:4 ); vo desfrutar 
da completa iseno do pecado; vo adorar plenamente o Deus verdadeiro ( Ap. 19:6,7 ). Prestaro um genuno servio ao Rei das naes ( Ap. 22:3 ). Tudo isso tinha 
sido perdido na Queda.

B. O homem passar a Ter um relacionamento perfeito com o prximo (Mandato Social)

No estado glorificado, ou seja, com a Imagem de Deus aperfeioada, os santos no mais vo se relacionar egosticamente, no haver ressentimentos, mentiras, odio 
ou manipulaes. Amor e comunho  o que marcar definitivamente o relacionamento entre todos os irmos. As diferenas desaparecero. Todos os membros desta Famlia 
estaro agora e para todo o sempre na Casa do Pai.

C. O homem passar a Ter um relacionamento perfeito com o cosmos. ( mandato Cultural ).

Paulo em Romanos 8:21 nos diz que "a prpria criao ser redimida do cativeiro da corrupo...". No apenas o ser humano ser redimido, mas tambm toda a criao. 
No apenas o homem espera por um novo comeo, mas tambm a criao o espera de forma expectante (Ef 8:19). A glria por vir tambm receber uma criao redimida 
da corrupo do tempo presente. Em Isaas, Deus j prometeu criar novos cus e uma nova terra (vv. 22 e 23) para o seu povo se regozijar.

Se com a Queda, o homem perdeu o domnio sobre a criao, agora no estado de glria, ele vai exercer o domnio, o governo sobre a natureza. Vai herdar a terra. No 
mais vai destru-la como antes. Pelo contrrio, o homem vai cumprir o mandato e governar sobre toda a terra, ( G, 1:27,28 ) agora redimida do cativeiro da corrupo.

Parte II
AS CONSEQNCIAS DO PECADO
A Queda dos nossos primeiros pais 
 
Introduo:
A queda de nossos primeiros pais, trouxe conseqncias desastrosas no apenas para eles, mas tambm para toda a humanidade. Entender o que aconteceu com Ado e Eva 
aps o primeiro pecado  chave para compreendermos a situao em que o homem se encontra hoje. Isto porque, Ado no agiu como uma pessoa particular, mas como representante 
de toda a humanidade.

I - CONSEQNCIAS PARA ADO E EVA:

Veja o que nos diz a Confisso de F de Westminster :

"Por este pecado eles decaram da sua retido original e da comunho com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades 
e partes do corpo e da alma" Captulo VI, seo 2

"Por este pecado", diz a Confisso de F de Westminster:

1) Decaram da sua retido original e da comunho com Deus (imagem desfigurada)

2) Tornaram-se mortos em pecado (escravos do pecado)

3) Inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma (depravao total)

Ao estudar o texto de Gnesis 3:7-24, vemos as seguintes conseqncias para nossos primeiros pais:

GNESIS 3:7-24

1-) Aps o pecado foram dominados por um sentimento de vergonha. V.7

Antes tinham conscincia da nudez, mas no tinham vergonha. (Gn 2:25)

"Ento foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais". (Gn 3:7)

Antes tinham conscincia da nudez, mas no tinham vergonha. Veja o texto abaixo:

"Ora um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e no se envergonharam".

(Gn 2:25)

O resultado de terem comido o fruto proibido, no foi a aquisio da sabedoria sobrenatural, como satans havia dito (v. 5), ao contrrio, agora eles descobriram 
que foram reduzidos a um estado de misria.
2-) Aps o pecado sentiram o peso de uma conscincia culpada (Gn 3:7)

Agora eles reconheciam que haviam pecado contra Deus, e resolveram fazer vestes de folha de figueira para se cobrirem.

 interessante observar que em Gn 3:7 afirma que os "olhos de ambos foram abertos". Obviamente que no se trata de olhos fsicos porque estes j estavam bem abertos 
antes, mas trata-se de olhos espirituais, os olhos do entendimento, os olhos da conscincia, que agora passam a ver e se acusarem.

Eles agora "percebem" que esto ns. Perderam o estado da inocncia. Percebem no apenas a nudez fsica, mas a nudez da alma que  muito pior, pois esta impede o 
homem de perceber Deus.

A nudez de Ado e Eva  a perda da justia original da imagem de Deus. Todos os seres humanos nascem agora ( aps a Queda ) nesta condio e as Escrituras dizem 
que  necessrio que recebamos as "vestes brancas" - Ap 3:18; "vestes de salvao" - Is 61:10, que  a justia original que Cristo nos traz de volta.

Eles agora estavam percebendo que a sua condio fsica espelhava a sua condio espiritual.

3-) Aps o pecado, tiveram medo e fugiram - v.8

"E ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim pela virao do dia; e esconderam-se Ado e sua mulher da prsena do Senhor Deus, entre as rvores do jardim. 
E chamou o Senhor Deus a Ado e disse-lhe: Onde ests? E ele disse: Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me" Gn 3: 8-10

Ado e Eva se escondem ao chamado de Deus. Conscincia culpada sempre produz medo e fuga. Mas que tolice! Pensaram eles que poderiam se esconder de Deus?

Pecaram e agora tm medo da sentena condenatria que Deus pode proferir contra eles. O pecado os separou de Deus, rompeu a comunho com Deus.

E  sempre assim. A menos que a obra de Cristo seja realizada em nosso favor, estaremos frente a frente com o juzo de Deus - Hb 2:3.

4-) Aps o pecado procuraram uma soluo intil para seu pecado. Gn 3:7.

Eles tentam salvar as aparncias, ao invs de procurar o perdo de Deus.

Fabricando aquelas cintas de folha de figueira, eles estavam to somente fazendo uma tentativa de acalmar a prpria conscincia.

Hoje em dia tambm  assim. Os descendentes de Ado tm medo de serem descobertos em suas transgresses. Mas seu objetivo principal no  buscar o perdo, mas sim, 
aquietar a conscincia e fazem isto assumindo o papel de religiosos, parecendo aos outros que esto bem vestidos.

Mas no obstante nossas roupas religiosas, o Esprito Santo nos faz ver a nossa nudez espiritual. No adianta dar desculpas esfarrapadas. Precisamos nos humilhar 
diante daquele que tudo v.

5-) Aps o pecado, h uma fuga da responsabilidade - Gn 3:10

"E ele disse: Ouvi a Tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me"

Gn 3:10

Ado tenta encobrir sua culpa, colocando a culpa em Eva (v 12), que por sua vez, culpou a serpente (v 13).

Eles no aceitaram a responsabilidade pelo erro. Ao contrrio transferiram a responsabilidade para o outro. No  assim tambm em nossos dias?

6 -) Aps o pecado eles tentaram arranjar uma justificativa - Gn 3:12

"... a mulher que me deste"

Ado chega a ser insolente. Ele no disse: "A mulher me deu do fruto e eu comi ...", mas disse: "A mulher que Tu me deste ...". Em outras palavras, Ado disse: "Se 
tu no me tivesses dado essa mulher, eu no teria cado".

Hoje em dia, ns podemos estar fazendo o mesmo. Em nossos esforos de se justificar, acabamos por culpar a Deus dos pecados que cometemos - Pv 19:3.

Exemplos: 

A razo tentou eximir-se de culpa, culpando o povo Ex 32:22-24. 

Saul fez o mesmo - I Sam 15:17-21. 

Pilatos deu ordem para crucificar Jesus e depois atribuiu o crime aos judeus - Mt 27:24. 

7-) Aps o pecado, a mulher daria a luz em meio a dores ( Gn 3:16-19)

Nesta sentena que Deus profere contra a mulher, vemos que a maldio foi mitigada. Isto porque, a gravidez era uma bno visto que a mulher daria  luz e se multiplicaria 
sobre a terra e o descendente nasceria para pisar a cabea da serpente. Mas a dor e o desconforto do parto so conseqncias da queda.

8-) Aps o pecado, a Terra foi amaldioada. (Gn 3:17)

A natureza sofre junto com a humanidade, compartilhando assim as conseqncias da queda.

As Escrituras descrevem esta maldio em trs maneiras:

a) O sustento ser obtido com fadiga v 17.

Assim como a mulher ter seus filhos com dor, o homem haver de comer o fruto da Terra por meio de trabalho penoso. Antes da queda, o trabalho de Ado no jardim 
era prazeroso e agradvel, mas de agora em diante, seu trabalho, bem como o dos seus descendentes ser seguido de cansao e tribulao.

b) A Terra produzir cardos e abrolhos v 18.

O cultivo da terra seria mais difcil do que antes. Cardos e abrolhos aqui significam: plantas indesejveis, desastres naturais, enchentes, insetos, secas e doenas. 
A natureza foi subvertida com o pecado do homem. (Rm 8:20-21).

c) No suor do rosto comers v 19.

O trabalho rduo se tornaria a poro do homem. A vida no seria fcil.

9-) Aps o pecado, a morte alcana o homem - v 19: 

A palavra "morte" ocorre na Bblia, com 3 sentidos diferentes, embora o conceito de separao seja comum aos trs:

a) Morte Fsica: Ecl 12:7

b) Morte Espiritual: Rm 6:23; 5:12

c) Morte Eterna: Mt 25:46

10-) Aps o pecado, foram expulsos da presena de Deus - Gn 3:22-24.

Estar fora do jardim era equivalente a estar fora da presena de Deus. Era a ira de Deus se revelando aos nossos primeiros pais pela desobedincia deles. (Judas 
6)

II - AS CONSEQNCIAS PARA A RAA HUMANA:

No tpico anterior vimos que a queda trouxe conseqncias desastrosas para os nossos primeiros pais. Mas estas conseqncias no ficaram restritas apenas ao dem. 
Toda a raa humana sofre as conseqncias do pecado dos nossos primeiros pais.

Assim se expressa a nossa Confisso de F: 

"Sendo eles ( Ado e Eva ) o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza 
corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por gerao ordinria" Captulo VI, 3 (Sl 51:5; 58:3-5; Rm 5:12, 15:19)

Em vista da queda, o pecado tornou-se universal; com excesso do Senhor Jesus, nenhuma pessoa que tenha vivido sobre a terra esteve isenta de pecado.

Esta mancha que atinge a todos os homens recebe o nome na Teologia de PECADO ORIGINAL. Vamos estud-lo agora.

O PECADO ORIGINAL

O que  o pecado original? Usamos esta expresso por trs razes:

1) Porque o pecado tem sua origem na poca da origem da raa humana. Em outras palavras,  pecado original porque ele, se deriva do tronco original da raa.

2) Porque  a fonte de todos os pecados atuais que mancham a vida do homem.

3) Porque est presente na vida de cada indivduo desde o momento do seu nascimento.

O pecado original pode ser dividido em dois elementos: Culpa original e Corrupo original.

1-) Culpa original: Culpa real e pena real.

A culpa  o estado no qual se merece a condenao ou de ser passvel de punio pela violao de uma lei ou de uma exigncia moral.

Podemos falar de culpa em dois sentidos:

Culpa Potencial ou Culpa de Ru ( Inerente ao ser humano ) 

Esta culpa  inseparvel do pecado, jamais se encontra em quem no  pecador e  permanente, de modo que, que uma vez estabelecida no  removida nem mesmo com o 
perdo. Ela faz parte da essncia do pecado.

Os mritos de Jesus Cristo no tiram esta culpa do pecador porque esta lhe  inerente. O fato de Cristo Ter morrido pelo pecador no o torna inocente, mas apenas 
livre da condenao, livre da penalidade da lei, justificado portanto.

Culpa (de fato) Real ou Pena do Ru: 

Esta culpa no  inerente ao homem, mas  o estatuto penal do legislador, que fixa a penalidade da culpa. Pode ser removida pela satisfao pessoal ou vicria das 
justas exigncias da lei.

 neste sentido que Jesus levou nossa culpa, isto , pagando a penalidade da lei. Jesus no levou nossa culpa potencial, mas sim nossa culpa real. Em outras palavras, 
Jesus no levou nossa culpa, pagou nossa pena.

2-) Corrupo original: O pecado inclui corrupo.

Por corrupo entende-se a poluio ou contaminao inerente  qual todo pecador est sujeito.  uma realidade na vida de todos os homens.  o estado pecaminoso, 
do qual surgem atos pecaminosos.
Enquanto a culpa tem a ver com a nossa posio perante a lei, a corrupo tem a ver com a nossa condio perante a lei.

Como uma implicao necessria de nosso comprometimento com a culpa de Ado, todos os seres humanos nascem em um estado de corrupo.

Esta corrupo que se propaga e afeta todas as partes da natureza humana recebe o nome de Depravao Total e que resulta numa incapacidade total.

Vejamos agora em nosso prximo estudo, os dois aspectos da Corrupo original: Depravao Total ou Generalizada e a Incapacidade Espiritual
Parte 03
"...HOMEM E MULHER OS CRIOU" 
"Disse mais o Senhor Deus: No  bom que o homem esteja s; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idnea. Ento o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, 
e este adormeceu; tomou-lhe, ento, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. 
Ento disse o homem: Esta  agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela ser chamada varoa, porquanto do varo foi tomada. Criou, pois, Deus o homem  
sua imagem;  imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Ento Deus os abenoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai 
sobre os peixes do mar, sobre as aves do cu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra". (Gn 2. 18, 21-23; 1.27,28)

"Homem e mulher os criou" diz a Escritura Sagrada e nessa pequena expresso est todo o mistrio de ser adam, o ser humano como Deus o criou. O homem e a mulher 
so iguais em dignidade e destino sobrenatural, mas to paradoxais com respeito  natureza humana. E por conta das diferenas, alis, significativas diferenas, 
j houve quem dissesse que eles pertencem a planetas distintos: o homem  da Terra, mas a mulher veio de algum outro planeta...  uma aliengena! Pensa e reage de 
modo to diferente! H quem seja muito ferino com a mulher. Por exemplo, Cato, pensador romano, disse: "Consente que a mulher, uma s vez, chegue ao p de igualdade 
contigo [estava falando a um homem], e desse momento em diante, ela se tornar superior a ti". Vejam, porm, o que uma mulher disse a respeito das outras mulheres. 
Foi Mme. de Stal assim se expressou: "Alegro-me por no ser homem, j que o sendo teria que me casar com uma mulher." No entanto, Plutarco opinou: "As mulheres, 
quando amam, pem no amor algo divino. Esse amor  como o Sol que anima a Natureza." Que coisa linda disse ele a respeito do amor feminino! 

Nada disso invalida o relevante fato que homem e mulher tm vises diferentes do mundo, da vida, do amor, mas se completam. E um escritor evanglico dos nossos dias, 
o Pr. Jaime Kemp, tambm deu a sua opinio dizendo que "Eva foi criada para ser a pea que faltava no quebra-cabea da vida de Ado" .

COMPREENDENDO AS DIFERENAS

Homem e mulher so iguais, mas so diferentes. Que contradio  essa? So iguais na mesma vida vegetativa e faculdades sensoriais, so iguais nos mesmos atributos 
intelectuais e no mesmo destino natural e sobrenatural, nas mesmas causas comuns. E, no entanto, so to diversos, visto que cada sexo tem caractersticas prprias. 
Se o homem tem maior fora fsica, e  preparado para grandes esforos nesse campo, a mulher tem muito mais fora intrnseca, como que preparada para no gemer enquanto 
sofre, nem cansar. A mulher tem graa, tem ternura, tem feitio delicado. E se o homem se doa ao trabalho, e dele faz o seu centro de interesse; a mulher se doa integralmente 
a quem ama (marido, filhos), e faz do lar o seu centro de ateno. Se ele busca o exerccio do poder, da chefia, da conquista do mundo exterior, da imposio de 
ideais; ela atua mais diretamente sobre aqueles a quem ama.  de uma presena impressionante no seu lar. Se ele tem esprito de deciso, de iniciativa, uma viso 
segura e clara dos objetivos (por isso,  "chefe de famlia"), ela possui delicadeza, sensibilidade, dedicao, beleza fsica, e o dom da maternidade fsica e espiritual 
(por isso  chamada "me de famlia"). 

As diferenas no devem se tornar obstculo ao amor. Pelo contrrio, ambos devem conhec-las, identific-las, aceit-las e no consider-las como barreira, como 
pedra-no-meio-do-caminho do amor e do casamento.  verdade que desentendimentos at podem surgir por conta dessas diferenas. Acontece, e muito. No esqueamos, 
no entanto, que para o equilbrio do lar  fundamental que homem e mulher coexistam, e coabitem (mesmo que ela seja de outro planeta!), mas vivam com suas caractersticas. 
Alis, nem devemos olhar para isso, nem devemos olhar para as divergncias, seno para o seu aspecto de complementao. No foi assim que o Senhor projetou?: "No 
 bom que o homem esteja s; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idnea". (Gn 2.18). Uma ajudadora, uma auxiliadora, uma complementao naquilo que o homem no 
sabe nem pode fazer; ajudadora que esteja  sua altura, "que lhe seja idnea", diz o texto.  por essa razo que temos dentro de ns foras poderosssimas que agem 
sem que, sequer, percebamos. E uma delas  a busca do carter oposto.  a necessidade da anttese, e esse  o milagre do amor: so dois necessitados que se completam. 

CONTINUANDO AS DIFERENAS

Nietzche, filsofo extremamente racional do sculo passado, e, ao mesmo tempo, muito cnico, desejando expressar a natureza da mulher deixou o seguinte: "Tudo na 
mulher  um enigma, e tudo na mulher tem uma soluo: chama-se gravidez." 

H estruturas psquicas bem distintas no homem e na mulher. J sabemos que o homem pensa de um jeito, e a mulher pensa de outra maneira. Elas decorrem do fato que 
a natureza guiada por Deus no sobrecarrega as criaturas de atributos de que no necessitam,. Isso quer dizer que em cada ser, em cada criatura, uma  forte e expressiva 
nas qualidades de que precisa. Assim, o homem tem certas qualidades que no se encontram na mulher, e vice-versa. A se completam. Precisam disso para cumprir as 
suas tarefas, mas so fracos, razo porque um necessita do outro, completando-o. O homem tem tudo o que falta  mulher, e vice-versa. Ou seja, virtudes masculinas 
na mulher so defeitos, como modos femininos no homem no so convenientes

Este no  um trabalho sobre psicologia cientfica. A nfase h de ser no exatamente nas diferenas, mas em como conhec-las e administr-las, ou como utiliz-las 
adequadamente, e assim enriquecer a vida do casal. E sabem o qu? Nem sempre a mesma palavra ou expresso significa a mesma coisa para o homem e para a mulher. Por 
exemplo, que significado tem a expresso "lua de mel" para certos homens? Que significa a mesma expresso para as mulheres? Quando fao as entrevistas pr-matrimoniais, 
essa  uma das perguntas. Exatamente isso: "Que significa para voc, minha filha, "lua de mel?" E, geralmente, vem uma idia to romanceada para a moa, e ela pretende 
ficar em lua de mel toda a vida. O rapaz, quantas vezes, tem outra idia, e discutimos as duas, e chegamos a uma sntese. 

O trao basilar da natureza masculina  a dinmica. E  por esse motivo que todo menino brinca pensando em um algo que o leve para longe. "Voc quer ser o qu?" 
E ele fala: "Aviador (marinheiro, astronauta, caminhoneiro)". Isso  coisa de menino: ele foi feito para a ao, para a combatividade, para o trabalho pesado. Mas 
a mulher  delicada.  delicada mas no  fraca.  corajosa diante da dor. E um mdico pediatra amigo meu dizia "Me no cansa." Mas no  uma questo de fora fsica. 
 verdade que ela sofre variao no seu temperamento;  dada  depresso em certos momentos; tem alegria no outro momento. Alis, o marido no deve se alarmar com 
isso, no; compreenda sua mulher: h momentos da vida em que ela est altamente deprimida; talvez na hora seguinte ela esteja diferente e o marido que no conhea 
e compreenda essa diferena feminina vai ter muitos problemas em casa, porque no vai entender a pobre da sua mulher. Conseqncias: ela espera do marido proteo, 
segurana, estabilidade, e ele no as d.

Por outro lado, falando em tese, o pensamento masculino  devagar, abstrato, mas tem muita lgica. J perceberam que os sistemas filosficos, que as grandes teorias 
cientficas, as frmulas universais vieram todas de homens com seus pensamentos puxando  lgica e  abstrao? E a a mulher vai exclamar amargurada: "Meu marido 
no me compreende..."  difcil mesmo!... Nicolas Berdiaeff deixou registrado que "existe uma profunda e trgica desinteligncia, uma estranha e dolorosa incompreenso 
entre o amor do homem e da mulher." E dizem que a Esfinge propunha o seguinte enigma: "Decifra-me ou devoro-te" (no  de espantar que a Esfinge fosse uma mulher).

O trao fundamental da natureza feminina  a esttica. Da que o homem, que  dinmico, estaria perdido sem a mulher (como Deus fez tudo to perfeito!) Seu pensar 
 intuitivo, e no  incomum, no  fora de comum, ouvirmos da esposa: "Sinto que  assim." E aquelas mulheres que dizem para os maridos: "Tome cuidado com Fulano; 
ele tem alguma coisa em que eu no confio."  muito prprio da mulher ser intuitiva. Desse modo, no foi por acaso que na Idade Mdia muitas mulheres foram queimadas 
como feiticeiras, somente porque estavam exercitando o seu poder de intuio. Entre os gregos, a Sabedoria era representada como ... uma mulher: Atenas. Em Delfos, 
havia um orculo, uma profetisa, e era... uma mulher. Quem venceu Sanso, aquele homem de fora extraordinria debaixo do poder de Deus? Quem o venceu seno... uma 
mulher muito astuciosa. Csar levou dezessete anos para vencer o Norte da Europa; Clepatra o venceu em dezessete dias... Isso  bem coisa de mulher.

Pois ; so essas as filhas de Eva: sentidos mais agudos que os do homem, ouvido mais apurado que o do homem, e o povo at diz que "corao de me no dorme." E 
como dizia o mdico nosso irmo em Cristo, "me no cansa".

O homem tem viso de conjunto, mas a esposa tem viso de detalhes. E ela se influencia mais facilmente e decide com o corao. Quantas vezes  impulsiva, tem juzo 
rpido; ele usa a reflexo, decide com a cabea. E como conseqncia, pela viso global das coisas, fixa normalmente os objetivos remotos; enquanto a esposa, pela 
dedicao, pelo senso do particular, pela acuidade realiza esses objetivos. Por isso,  preciso haver essa indissolubilidade, essa solidariedade entre ele e ela.

AINDA AS DIFERENAS 
O homem est mais preocupado em conquistar do que ser conquistado, razo porque o Esprito Santo atravs de Paulo ordena aos homens: "Maridos, amai a vossas mulheres, 
como tambm Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5.25).  da natureza masculina o conquistar. Est pouco atento aos detalhes, e at parece, 
apenas parece, desinteressado na esposa.

A mulher tem afetividade como centro da sua personalidade. A mulher  um grande corao!  mais receptora ao amor, e o exprime atravs de certas coisas pequenas: 
a maneira como se veste, como coloca flores na casa, como prepara os pratos na hora do almoo (a sabedoria popular diz que "O corao do homem se alcana pela boca"), 
e outros pequenos detalhes. Meu irmo querido, observe essas coisinhas pequenas na sua casa porque a sua esposa est lhe dizendo no com palavras, "eu te amo".

Lio: o marido deve procurar compreender essas pequenas delicadezas, e manifestar o amor. Ao passo que no deve a esposa armar uma tragdia grega dizendo que ele 
no a ama se esquecer alguma data. Marido  muito desligado disso mesmo, de esquecer datas! J imaginou a data em que vocs se encontraram pela primeira vez, e ele 
se esqueceu desse dia to importante na vida dos dois?! Em vez de armar um escndalo porque ele esqueceu, sugira antes, dois dias antes: "Mas que bom, no , que 
daqui a dois dias vamos completar o aniversrio de nosso primeiro encontro..." Faa uma sugesto de leve que d muito mais resultado do que reclamar do esquecido 
do marido.

Ns temos atitudes diferentes quanto ao lar e quanto  sociedade. O homem  inclinado para o exterior. E mais uma coisa: reclamao no prende o homem em casa! No 
reclame, no:  pior; a  que ele quer sair mesmo. Reclamao no vai tirar o homem do baba (como se diz Bahia), da pelada, ou de grupos ou de sociedades que ele 
freqenta.

Para a mulher, o centro vital  o lar,  quase como extenso de sua capacidade de ser me, um psiclogo completou dizendo que para a mulher, o lar  como se fosse 
uma extenso do seu tero! E como  doloroso descobrir no comeo do casamento que voc no  o mundo do seu marido. Mas sua religio, sua espiritualidade  muito 
mais sentimental e afetiva, e a prtica religiosa se torna uma necessidade espontnea dentro de casa. No caso, a espiritualidade dele  s vezes mais fria, e, s 
vezes, mais por dever do que por servir.

Para harmonizar essas diferenas, necessrio se torna o trabalho contnuo, e o desejo de adaptao. Procure, portanto, no atribuir aos gestos e palavras do outro 
um segundo significado. H muita gente que quer fazer isso: Porque ele disse uma coisa, ela l outra; ela disse uma coisa, ele escuta outra. Talvez no seja isso 
o que ele est dizendo, no  o que ele queria dizer. Mas no use tambm as caractersticas prprias do sexo para encobrir ou justificar defeitos individuais seus. 
O marido  professor, est no sof lendo, meditando ou estudando. A esposa chega e diz: "J que voc no est fazendo nada, venha me ajudar com essa pia entupida 
(ou com essa escada, etc.)." Pronto; matou o casamento! Ele est fazendo alguma coisa: est se preparando, est estudando, est se melhorando; No  que no esteja 
fazendo nada. Ou no caso daquele outro que gosta de trabalhar com as mos, pegar na tinta, no pesado. Quando sai, deixa a sujeira no cho. A mulher que se identifica 
tanto com a casa que no pode ver sujeira, diz assim: "Sujou a casa, limpa depois." Ele, porque no compreende, tambm ridiculariza o quadro que ela comea a pintar, 
o tapete que comea a tecer, e diz algo que machuca a alma da esposa.

Os tipos humanos so tambm, diferentes. H os extrovertidos que amam sair, amam o movimento, so "rueiros"e festeiros. H pessoas que so introvertidas, so tranqilas, 
caseiras, mais apreciadoras de um livro do que de bater perna no shopping. Por instinto, um homem muito racional vai se casar com uma mulher muito sentimental. Isso 
no  problema, no. O problema  querer faz-la entender a linguagem da razo, a linguagem objetiva, exata, e dizer que ela no tem lgica quando explode sentimentalmente. 
Ela, por sua vez, reclama que o tom racional do marido esteriliza os sonhos e a prpria vida. Na verdade, uma  a linguagem das cincias exatas, outra  a linguagem 
das metforas. Jesus at a usou. Veja Mateus 13.1-23. A metfora est nos versos 3 a 9. Ele no disse "quem tem ouvidos para ouvir oua"? Mas, nem todos tinham. 
Por isso, Ele explicou, e recontou-a nos versos 18 a 23.

Esses aparentemente dspares (os conceitos exatos e as expresses metafricas) so perfeitos para a unio do casal, para que se completem. Talvez o casal no saiba 
administrar essa unio, e quando perderem o outro, vo dizer "Eu era feliz e no sabia".

 verdade; h diferenas entre o homem e a mulher. Por isso se necessitam tanto, e, ao mesmo tempo, tm tanta dificuldade de se conhecerem.  o homem que discute 
o futuro,  a mulher que reage ao momento presente ("Deixa de conversar bobagem - diz ela - e vem ajudar o menino a fazer os deveres"). Creio que  esse gosto pelo 
presente e por detalhes que faz com que a conversa nas rodas de mulheres casadas seja principalmente em um desses trs temas: filhos (ou netos), empregadas ou cirurgia 
que j fizeram, ou precisam fazer. So assuntos imediatos,  coisa de mulher! J o marido pega o jornal, pronto, ela se sente infeliz e abandonada.

O USO DA PALAVRA

E o uso da palavra? Para o homem, a palavra  expresso de idias e expresses. Mas para a mulher,  expresso de sentimentos e emoes, razo porque conta oito 
vezes a mesma histria para o marido. Ela no quer inform-lo, no: quer descarregar a emoo. L fora, usam dizer que mulher fala demais, "Fala pelos cotovelos", 
e um telogo curioso e criativo disse que no cu haver um momento de grande tormento para as mulheres, descrito em Apocalipse 8.1: "Quando abriu o stimo selo, 
fez-se silncio no cu, quase por meia hora." Uma tortura para as mulheres essa meia hora de silncio!

A mulher quer a palavra. Foi perfeitamente pertinente, ento, que a palavra se tenha feito carne no ventre de uma mulher. E porque a palavra significa emoo, ela 
quer ouvir do marido (no importa se duzentas vezes) a expresso mgica "Eu te amo".  o carinho da palavra. E ela quer ouvir, apesar de o saber. H uma historinha 
que diz que a esposa reclamou do marido: "Voc j no diz que me ama..." E ele responde: "Olha, ns estamos casados h 17 anos. No dia do casamento eu disse que 
a amava e basta; no precisa dizer mais; no j disse diante das testemunhas? " Ela quer ouvir, apesar de o saber, porque a mulher  conquistada e seduzida pelo 
ouvir. No foi assim que a nossa me primeira foi seduzida e conquistada pela palavra da serpente? (cf. Gn 3.1-6).

Por outro lado, h maridos que no sabem dizer "Eu te amo", mas falam como podem ou sabem:  aquele vestido que d de presente,  aquele jantar fora um dia, e assim 
por diante.

CASE-SE COM ELE E TAMBM COM...

Minha irm querida, case-se com ele e tambm com a profisso dele. O filsofo espanhol Ortega Y Gasset disse que o homem  ele e suas situaes de vida ("Eu sou 
eu e as minhas circunstncias"). O mdico, por exemplo, no tem hora; o pastor vive em funo da igreja 24 horas no ar; o professor, da sala de aula; o comerciante, 
do seu comrcio. De modo que nunca fale da profisso dele com desprezo; e nem fale da profisso dela, meu irmo, como coisa desnecessria.

E mais uma coisa: no reclame se ela vai tanto ao salo de beleza.  para voc que ela est se embelezando;  para voc que ela est ressaltando essa beleza. Ela 
quer que voc a veja e aprecie. Vejam que encontro bonito descrito em Gnesis 24. 63-65: 

"Sara Isaque ao campo  tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos. Rebeca tambm levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou do 
camelo e perguntou ao servo: Quem  aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? Respondeu o servo:  meu senhor. Ento ela tomou o vu e se cobriu".

Modstia por um lado (a modstia oriental, as mulheres se cobriam como o fazem ainda hoje nos pases rabes), mas, ao mesmo tempo, ela se embelezou para Isaque. 
Por que no dizer para ela, ento, no esprito do Cntico dos Cnticos: "Tu s toda formosa, amada minha, e em ti no h mancha. Quo doce  o teu amor, minha irm, 
noiva minha! Quanto melhor  o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungentos do que o de toda sorte de especiarias!" (4.7,10). Alis, a mulher  por natureza 
vaidosa. Veja a reao das mulheres quando passam diante de um espelho. ("Espelho, espelho meu, existe outra mulher mais bonita do que eu?").

Porque ns somos iguais e diferentes; porque temos iguais e diferentes necessidades; porque a irm necessita ser protegida, acariciada e amada: porque o irmo precisa 
de ser igualmente elogiado, apreciado,  que h certas condies. Sim; a mulher quer isso mesmo: ser amada e protegida (necessidade  o que cada um deseja para se 
manter equilibrado), mas quer liberdade para exercer os seus papis de me, esposa e profissional, e as pequenas expresses de carinho e interesse significam para 
a mulher muito mais, muito alm do que ns, os homens, podemos imaginar. Ela deseja que o marido seja amante e companheiro, mas delicado.

E o seu marido tambm, amada irm, precisa saber que  competente,  digno de confiana, deseja uma esposa que cuide do lar, dos filhos, e que se interesse pelo 
seu trabalho, mas no reclame dos seus passatempos. Queixas e reclamaes no resolvem! Pelo contrrio, o que eu encontro nos Provrbios  at uma condenao: "As 
rixas da mulher so uma goteira contnua" (Pv 19.13b). Imagine uma goteira pingando durante toda a noite? E tambm: "Melhor  morar numa terra deserta do que com 
a mulher rixosa e iracunda." (Pv 21.19) Est na Escritura... Agora, s para as irms um segredinho de um homem para as mulheres (os companheiros que me perdoem): 
o homem cede muito mais (muito, muito mais) a uma suave persuaso e um tratamento sedutor que s reclamaes e exigncias.

DILOGO

Muito ajuste de diferenas se resolve com dilogo. Palavrinha boa! Dilogo significa "atravs (dia) da palavra (logos)".  o que algum chamou de "O dever de sentar-se". 
 preciso sentar para conversar, sentar para trocar idias, porque dilogo no casamento  o encontro da psicologia masculina com a feminina. Dilogo  avaliao. 
E um pensador disse que "Ainda no nos conhecemos porque no tivemos ainda a coragem de nos calar juntos" (Maeterlinck). O dever de sentar-se e avaliar o casamento 
 a trs: O Senhor nosso Deus e o casal;  dilogo sob o olhar de Deus. E para esse dilogo h condies: 
 preciso respeitar o outro, por isso use linguagem afetuosa. 
 preciso saber escutar, razo porque Jesus Cristo mandou que nos amssemos, e no que nos amassemos uns aos outros. 
Buscar compreender as necessidades do outro. Se algum tem sede, guaran no serve. Se a esposa precisa de ateno, no adianta dar uma pulseira. Alis, d a pulseira 
e ateno! Dialogar no  reclamar, (pode at s-lo), mas , realmente, sorriso, perdo, colocar na mesa problemas, sucessos, alegrias e preocupaes;  troca de 
idias, e se insere na linha da comunho. No casamento e no dilogo, marido e mulher esto em p de igualdade; so companheiros ("companheiro"  aquele que come 
po comigo: co+panis ), e so camaradas ("camarada"  quem habita a mesma cmara, o mesmo quarto). Dilogo  um encontro das psicologias masculina e feminina, j 
o dissemos. Outrossim, alm das palavras, a orao  dilogo, o passeio a dois  dilogo, o passeio com os filhos tambm  dilogo. 
Sim; orem juntos; escolham a melhor hora de conversar; procurem definir o problema bsico. Onde h acordo? Onde est o desacordo? Oua primeiro, e s depois responda, 
porque at para isso a Escritura tem uma recomendao: "Responder antes de ouvir,  estultcia e vergonha." (Pv 18.13; cf. Tg 1.19). Como voc pode contribuir para 
resolver?

Termino com este poema que diz:

AMOR

s a minha amada,
s minha
e eu sou teu.
Est escrito.

Uniremos
nossas almas e corpos
e ficaremos ligados
em corpo e almas.
Est escrito.

E nem o vento
que sopra do deserto,
nem o tempo
que desgasta,
nem a morte
que amedronta ,
nem os sensatos
que falam de razo,
nada destruir
o nosso amor,
porque o nosso amor
 um baluarte
e os aguaceiros
da vida
no poderiam extingui-lo
porque ele 
uma chama de Deus,
e o fogo de Deus
arde para alm
de todos os dilvios.

Est escrito:
amar
 penetrar
nas fronteiras de Deus.
Seremos uma porta aberta:
a quem entrar
serviremos a Festa
com colares
engranzados de nuvens,
oferecer-lhe-emos
o nosso riso
como presente para levar,
abrir-lhe-emos
as mos
para receber em depsito
todos os fardos.
Seremos
uma s taa derramada,
seremos
um s corpo oferecido,
entregar-nos-emos
 festa da vida.

Parte IV
POR QUE, CALABAR?
O MOTIVO DA TRAIO 
 
A figura de Calabar insere-se na histria ptria colonial durante a poca da invaso dos holandeses no Nordeste (1630-1654). Morador de Porto Calvo, Alagoas, passou 
para o lado holands em 1632. Conseqentemente,  desprezado pela maioria das pessoas como traidor; outros, porm, acreditam que Calabar amava a sua terra natal 
e fez uma escolha sbia. Mas, afinal, por que ele teria passado para o outro lado? Qual a razo da traio?

I. Contexto 

Para entendermos o drama de Calabar, temos de lembrar do contexto histrico.1 Portugal e suas colnias estavam debaixo do domnio espanhol desde que Filipe II conquistara 
a coroa portuguesa em 1580. Com isso, ele pode afirmar com razo que no seu imprio o sol nunca se punha. Somente sessenta anos depois, em 1640, Portugal se livraria 
de Castela e constituiria de novo um reino independente sob o governo de D. Joo IV. Mas a histria de Calabar se desenvolveu inteiramente no contexto do Brasil 
ibrico, quando, por algum tempo, no havia previso de mudanas polticas.

Domingos Fernandes Calabar2 deve ter nascido durante a primeira dcada do sculo XVII, no atual Estado de Alagoas, na regio de Porto Calvo, sendo filho de pai portugus 
e de me indgena, de nome ngela lvares.3 Era, assim, um mameluco,4 e foi batizado numa igreja da parquia de Porto Calvo.5 O menino foi educado numa escola dos 
padres jesuitas e, homem feito, ainda antes da invaso batava, possua trs engenhos de acar naquela regio.6 Ento, em 1630, a segunda onda de invasores holandeses 
alcanou a costa do Nordeste. Portugal e a Holanda geralmente gozavam de um bom relacionamento, inclusive por causa do seu inimigo comum, a Espanha. Na poca do 
reino unido ibrico (1580-1640), a invaso flamenga fazia parte da guerra dos oitenta anos que a Holanda travava contra o domnio espanhol sobre os sofridos Pases 
Baixos (1568-1648).7 A Ibria continuou tentando recapturar suas provncias perdidas e esmagar a reforma religiosa naqueles rinces. A Europa sempre se admirava 
de como os Filipes conseguiam colocar exrcitos bem equipados to longe das suas terras, e sabia que o segredo era a riqueza oriunda principalmente das colnias 
americanas, inclusive do Brasil. De l no vinha ouro nessa poca, e sim grandes caixas do apreciado acar, branco e mascavo. Eram umas 35.000 caixas de 300 quilos 
cada uma por ano.8 O paladar europeu estava se adaptando ao novo produto e o preo do acar estava em alta. A Holanda procurava "estancar as veias do rei da Espanha," 
pelas quais flua tanta riqueza, e muitos holandeses apoiaram de corao os esforos da Companhia das ndias Ocidentais no sentido de causar "prejuzo ao inimigo 
comum."9 

O domnio holands do Nordeste durou quase um quarto de um sculo (1630-1654) e teve trs perodos distintos. A primeira etapa abrange os anos da resistncia ibrica 
e do crescimento do poderio neerlands (1630-1636). O segundo perodo compreende a resignao lusa e o florescimento da colnia holandesa (1637-1644). Os ltimos 
anos compem a insurreio dos moradores portugueses e o fenecimento do domnio flamengo at a expulso final (1645-1654). So perodos de aproximadamente sete, 
oito e nove anos, respectivamente. O florescimento da colnia holandesa coincidiu com a presena do Conde Joo Maurcio de Nassau-Siegen como governador do Brasil 
holands, e deveu-se em grande parte  sua pessoa. Especialmente na poca nassoviana, mas de fato durante todo o perodo holands, o Nordeste era como que um enclave 
renascentista10 no Brasil colonial, com uma forte influncia crist reformada. A histria de Calabar  parte integrante do primeiro perodo da ocupao holandesa, 
a da resistncia ibrica contra os conquistadores recm-chegados.

Olinda, a capital da capitania de Pernambuco, caiu nas mos dos holandeses em fevereiro de 1630. Sua conquista fez parte da "primeira guerra mundial... contra o 
rei do planeta."11 A composio das tropas invasoras refletia esse aspecto global,  semelhana dos atuais Gidees Internacionais, incorporando holandeses, frsios, 
vales, franceses, poloneses, alemes, ingleses e outros. Envolvidos na guerra contra Madri, todos se alegraram quando os "espanhis" bateram em retirada.12 Essa 
luta contra a Espanha tinha implicaes profundamente religiosas. Embora a instruo do almirante Lonck estipulasse que todos os padres jesutas e outros religiosos 
teriam de abandonar o pas, ela reafirmava a "liberdade de conscincia, tanto para os cristos como para os judeus, desde que prestassem juramento de lealdade..., 
assegurando-lhes que (a Holanda) no molestaria ou investigaria as suas conscincias, mas que a religio reformada seria publicamente pregada nos templos..."13 Foi 
institudo um governo civil; um dos membros desse Alto Conselho era o mdico Servaes Carpentier.14 O exrcito ficou sob o comando do coronel Diederick van Waerdenburch, 
o governador, presbtero da Igreja Reformada, homem estimado pelas tropas.

Em 1631, foi conquistada a Ilha de Itamarac e construdo o Forte de Orange sob a superviso do capito protestante Chrestofle Arciszewski, um nobre polons.15 Todavia, 
a expanso foi lenta, e outras tentativas de ampliar a conquista vieram a fracassar por causa da resistncia dos luso-brasileiros, que eram grandes conhecedores 
da regio e haviam adotado a ttica de guerrilhas ("capitanias de emboscada"), o que deixou os holandeses praticamente encurralados. O prprio almirante Lonck quase 
caiu numa emboscada no istmo entre o Recife e Olinda, e o pastor Jacobus Martini foi morto no mesmo trecho.16 O centro da resistncia portuguesa estava localizado 
a uns seis quilmetros do litoral, em um terreno alagadio no lugar denominado Arraial do Bom Jesus.17 A Ibria enviou uma armada de mais de 50 navios para recapturar 
Pernambuco, sendo que a maior parte da contribuio dada por Lisboa veio de emprstimos compulsrios de "cristos novos" (judeus convertidos compulsoriamente ao 
catolicismo romano).18 

Em setembro de 1631, a batalha naval de Abrolhos, no litoral pernambucano, ficou sem vencedor. Em seguida, as tropas espanholas, sob o comando do no muito benquisto 
conde napolitano Bagnuolo, desembarcaram em Barra Grande, no sul de Pernambuco, a cerca de cinco lguas do maior povoado da regio, Porto Calvo, s margens do Rio 
das Pedras. Entre eles estava Duarte de Albuquerque Coelho, o novo donatrio de Pernambuco, autor das famosas Memrias Dirias19 sobre os primeiros oito anos dessa 
guerra colonial. Por ora a situao era de empate, os holandeses dominando o mar, os portugueses as praias.

II. Histria 

Essa situao de virtual equilbrio no Nordeste continuou at 22 de abril de 1632, quando um soldado de nome Calabar, homem muito forte e audaz, deixou o campo portugus 
e passou para o lado dos holandeses. Foi apenas por um breve perodo, pouco mais de trs anos, mas teve conseqncias para toda a poca flamenga. Calabar no foi 
o nico a passar para o outro lado, mas sem dvida foi o mais importante entre eles. Era um homem inteligente e grande conhecedor da regio, que j tinha se distinguido 
e ficado ferido na defesa do Arraial sob a liderana do nobre general Matias de Albuquerque.20 

Inicialmente, os holandeses no confiaram muito nele.21 No entanto, dez dias depois Calabar provou pela primeira vez o que podia fazer, levando as tropas do coronel 
Van Waerdenburch a saquear Igarau, a segunda cidade de Pernambuco, para onde uma parte das riquezas de Olinda tinha sido transportadas. Durante os meses seguintes, 
muitas campanhas foram feitas pelas colunas volantes batavas sob a orientao de Calabar, que tornou-se amigo do coronel alemo Sigismund von Schoppe. Por outro 
lado, o general Matias tentou "por todos os meios possveis (reduzir Calabar), assegurando-lhe no s o perdo, mas ainda mercs, se voltasse ao servio de el-rei; 
e esta diligncia repetiu por muitas vezes, no que se gastou algum tempo; mas vendo que nada bastava para convenc-lo, tratou de outros meios."22 

Em 1633, com a ajuda de Calabar, foi conquistado o litoral norte, desde Itamarac at a fortaleza dos Reis Magos, e com isso o Rio Grande do Norte, o que levou a 
contatos amigos com os tapuias, indgenas antropfagos daquela regio. Na parte sul, foi tomado o valioso ancoradouro do Cabo Santo Agostinho, o que privou os portugueses 
do porto mais prximo do Arraial, dificultando o recebimento de reforos de Lisboa e o envio de acar para Portugal. Nessa altura, o coronel Sigismund, como o mais 
velho dos oficiais, assumiu o comando das tropas terrestres. No mar, o almirante Jan Cornelis Lichthart, que falava portugus, tornou-se amigo de Calabar, que lhe 
ensinava as entradas dos rios.

Do outro lado, os portugueses prosseguiam com suas tentativas de destruir Calabar. Assim, em maro de 1634, o general Matias prometeu a Antnio Fernandes, um primo 
irmo com quem Calabar fora criado, "que lhe faria merc que o contentasse se pudesse mat-lo em algum ataque." Antnio aceitou a comisso mas foi morto na tentativa.23 

Enquanto isso, Calabar se adaptava mais e mais  sociedade dos invasores e tornou-se um indivduo estimado e respeitado, inclusive na "igreja catlica reformada."24 
Prova disto  que, quando nasceu um filhinho do casal, foi batizado na Igreja Reformada do Recife. O livro de batismo dessa igreja registra que no dia 20 de setembro 
de 1634, Calabar esteve ao lado da pia batismal com o seu filho nos braos. O menino foi, ento, batizado "Domingo Fernandus, pais Domingo Fernandus Calabara e Barbara 
Cardoza."25 Como testemunhas, ali estavam o alto conselheiro Servatius Carpentier, o coronel Sigismund von Schoppe, o coronel polons Chrestofle Arciszewski, o almirante 
Jan Cornelisz Lichthart e uma senhora da alta sociedade.26 O pastor oficiante foi provavelmente o Rev. Daniel Schagen.27

No final de 1634, a Paraba tambm havia se rendido aos invasores. Alguns sacerdotes (exceto os jesutas) inclusive tiveram a permisso de assistir aos ofcios religiosos. 
Houve at um padre, Manuel de Morais, S.J., que passou para o lado invasor. Dessa forma, os holandeses ocuparam a faixa litornea desde o Cabo Santo Agostinho at 
o Rio Grande do Norte. A Espanha no podia fazer muito devido aos grandes problemas que enfrentava na Alemanha (com o avano do exrcito sueco para ajudar a Reforma 
contra as tropas do imperador), a perda de uma frota carregada de prata do Mxico (devido a um furaco), problemas no Ceilo, vrios anos de seca em Portugal, etc.

Novamente orientados por Calabar, os holandeses continuaram a expanso para o sul e, em maro de 1635, atacaram Porto Calvo, a terra natal do prprio Calabar. Os 
defensores, liderados por Bagnuolo, fugiram para o sul, e com a ajuda de frei Manuel Calado do Salvador28 os moradores da regio submeteram-se aos holandeses. Dessa 
forma, o Arraial ficou isolado e, depois de trs meses, em junho, Arciszewski conquistou aquela fortificao lusa, os religiosos recebendo permisso para levarem 
as suas imagens. Matias de Albuquerque havia fugido para o sul com aproximadamente 7000 moradores que preferiram acompanh-lo a ficar sob o domnio flamengo. A nica 
estrada da regio pantanosa de Alagoas que podia ser usada por carros de boi passava por Porto Calvo, e nessa altura estava em poder do major Picard e de Calabar, 
acompanhados de uns 500 homens. Matias viu-se forado a atacar a praa, que teve de pedir condies de entrega. Picard tentou salvar a vida de Calabar e finalmente 
foi combinado que ele ficaria " merc d'el-rei."29 Porm, como disse o historiador De Laet, a proteo concedida foi " espanhola" e um tribunal militar o condenou 
a ser enforcado e esquartejado como traidor.30 O frei Manuel o assistiu nas ltimas horas31 e ao anoitecer do dia 22 de julho de 1635 a sentena foi executada. Foi 
tambm enforcado um judeu, Manuel de Castro, "homem de nao," que estava ali a servio dos holandeses.32 Poucas horas depois, os portugueses continuavam a sua retirada 
em direo  Bahia, levando consigo cerca de 300 prisioneiros holandeses. Nenhum dos moradores cuidou de enterrar o soldado executado. Dois dias depois, chegaram 
a Porto Calvo as foras combinadas dos coronis Sigismund e Arciszweski, que ficaram enfurecidos ao achar os restos mortais do seu amigo e compadre Calabar. Foram 
colocados num caixo e sepultados com honras militares. Querendo vingar-se da populao lusa, foram dissuadidos por Calado, "o frei dos culos," especialmente pelo 
fato de que os holandeses precisavam dos "moradores da terra" para a plantao da cana-de-acar e a criao do gado. 

III. Motivos 
Por que Calabar teria passado para o lado do invasor? Capistrano de Abreu pergunta: "Talvez a ambio ou esperana de fazer mais rpida carreira, ou desnimo, a 
convico da vitria certa e fcil do invasor"?33 Reconheamos que, com esta inquirio, entramos no campo da especulao histrica, pois no h indcios concretos 
nos documentos, somente aluses vagas.34 Deve ter havido motivos claros e outros ocultos, motivos diurnos e noturnos.35 Alm disto devem ter existido foras que 
o empurravam para fora do crculo portugus e outras que o atraam para dentro do campo holands, foras centrfugas e centrpetas. Lembremos ainda que uma deciso 
dessas geralmente no se toma de um dia para o outro. Havia motivos que se cristalizaram com o tempo, at que algo levou o barril de plvora a explodir.

A. Fugitivo? 

A primeira pergunta deve ser: ser que Calabar era um fugitivo? O confessor de Calabar, antes da sua execuo, foi o frei Manuel Calado do Salvador, vigrio da parquia 
de Porto Calvo. Treze anos depois, em 1648, no auge da revolta contra os holandeses, ao escrever O Valeroso Lucideno, seu livro panegrico em louvor do lder Joo 
Fernandes Vieira, Calado afirmou que Calabar era um contrabandista, que inclusive teria cometido grandes furtos e vrios crimes atrozes na parquia de Porto Calvo 
e, temendo a justia, fugiu com Brbara para o campo do inimigo.36 As Memrias de Duarte Coelho, escritas em 1654, acompanham Calado nessa opinio.37 Vrios historiadores, 
como Varnhagen e outros, mantm esse veredito.38 Mas o cnego Pinheiro lembra que "os mais graves cronistas como Brito Freyre (1675), e frei Jos da Santa Teresa 
(1698), no falam nesses crimes atrozes atribudos pelo Valeroso Lucideno e seu Castrioto Lusitano compilador."39 Quanto s Memrias do donatrio Duarte de Albuquerque 
Coelho, temos de observar que o autor (cujo irmo Matias, cognominado o "terrbil,"40 era o general da resistncia portuguesa), escrevendo sobre a traio de 1632, 
no mencionou motivo algum, somente se admirou de que um homem to corajoso, que ficou ferido duas vezes na defesa da sua terra, no sentisse dio dos invasores.41 
Mas, depois, quando tratou da morte de Calabar, disse que foi um "castigo reclamado por sua infidelidade," acrescentando que tinha "cometido grandes crimes, e para 
evitar a punio fugiu passando-se para o inimigo."42 Ser que Coelho refletia boatos do campo portugus depois da traio, alm de referir-se aos crimes de guerra 
ocorridos nas incurses dos holandeses com Calabar entre 1632 e 1635, inclusive em Barra Grande e Camaragibe, ambos distritos no litoral da parquia de Porto Calvo?43 
Quanto s informaes de Calado, temos de reconhecer que elas nem sempre so muito precisas,44 e so s vezes romanceadas;45 alm disso, conforme C. R. Boxer, elas 
freqentemente eram um tanto caluniadoras e no necessariamente fidedignas.46 

Talvez Flvio Guerra seja o autor mais sistemtico na rejeio da idia de fuga por roubo e outras razes dessa natureza. Ele argumenta: a) Calabar era um homem 
de posses que no aceitou dinheiro dos holandeses; b) ele no poderia ter defraudado bens do estado no Arraial; c) no h documento nenhum que fale em fraude; d) 
essa alegao surgiu somente alguns anos depois da morte de Calabar.47 Reconhecemos, porm, que esse jovem inteligente e proprietrio de engenhos de acar talvez 
no tenha herdado essas propriedades; talvez fosse mesmo um contrabandista e como tal pudesse ter cometido algum furto ou crime antes da traio. Entretanto, seja 
como for, naqueles dias de guerra dificilmente esse corajoso e astuto defensor do Arraial seria entregue nas mos da justia enquanto o general Matias e o donatrio 
Duarte estavam a seu favor. Por outro lado, depois da traio, depois de tantas tentativas de reconduzi-lo gentilmente, depois de tantos prejuzos e mortes causados 
na conquista de Igarau, Itamarac, Rio Grande, Paraba e boa parte do sul de Pernambuco, depois de tantas tramas abortadas para liquid-lo, no havia chance nenhuma 
de escapar das garras dos seus justiceiros comandados pelo general Matias, com ou sem crimes cometidos antes da traio.48 

B. Teria Segurana? 

Mas, sendo fugitivo do lado portugus, teria realmente segurana se passasse para o outro lado? Inteligente como era, Calabar deve ter calculado o perigo que estava 
correndo. Ser que ele teria tido medo de, no fim, ser abandonado pelos holandeses? Creio que no. Intimamente ele deve ter tido a certeza de que no seria como 
Frei Calado sugeriu, que os holandeses "se servem (dos seus ajudantes) enquanto os ho mister, (mas) no tempo da necessidade e tribulao, os deixam desamparados 
e entregues  morte."49 A proteo dada posteriormente aos seus aliados judeus e ndios e a resistncia em render-se finalmente aos portugueses por causa dos mesmos 
(atestada pelo prprio Calado),50 mostra que no  provvel que isto tenha acontecido. Mas, pela ltima vez em Porto Calvo, com soldados relutantes, restando pouca 
gua e munies, com lenha amontoada pelos sitiantes debaixo da casa forte para queim-los,51 e depois de "mais de meio-dia no ajuste dos artigos de rendio, porque 
o inimigo insistia em levar consigo Domingos Fernandes Calabar," o prprio soldado Calabar sabia que era impossvel escapar e, querendo poupar as vidas dos seus 
amigos e subordinados, "disse com grande nimo estas palavras ao governador Picard: 'No deixeis, senhor, de concordar no que se vos exige pelo que me diz respeito, 
pois no quero perder a hora que Deus quis dar-me para salvar-me, como espero de sua imensa bondade e infinita misericrdia'."52 Deve ter pedido, ainda, que cuidassem 
bem da sua mulher, com quem fugira para o campo holands,53 e de seus filhos, pois ia entregar-se sozinho. De fato, o governo cuidou bem da famlia do seu nobre 
capito, pois a sua viva passou a receber para cada um dos seus trs filhos menores o salrio de um soldado, num total de 24 florins mensais, equivalente ao salrio 
de um mestre-escola, o que no acontecia com a famlia de pastor e capelo do exrcito tombado no servio da Companhia.54 Por outro lado, o prprio major Alexandre 
Picard deve ter ficado arrasado com o triste fim do colega, e ns o encontramos depois na Holanda recuperando-se na casa do seu irmo pastor em Coevorden.55 

C. Exemplos de "Traidores" 

Fugindo em busca de refgio ou no, tambm temos de lembrar que a poca conhecia muitos exemplos de "traidores," de ambos os lados. Embora Calabar fosse considerado 
em abril de 1632 como o primeiro a desertar do Arraial,56 os documentos testificam que j havia passagens dos dois lados. Alguns soldados franceses a servio da 
Companhia das ndias Ocidentais passaram para o campo portugus devido  religio, e houve judeus que fizeram a viagem em direo oposta pelo mesmo motivo. Sabemos 
de escravos que fugiram dos seus donos para obter mais liberdade entre os holandeses,57 de grupos de ndios tupis que deles se aproximaram,58 e tambm de soldados 
napolitanos que debandaram para o lado invasor. O "vira-casaca" holands mais conhecido foi o capito Dirk van Hooghstraten que, em 1645, entregou a fortaleza do 
Cabo Santo Agostinho aos portugueses por um bom dinheiro (que ainda no havia recebido quatro anos depois).59 Houve pessoas que trocaram de campo at duas vezes, 
e entraram para a histria com honras, como o padre jesuta Manuel de Morais e o prprio Joo Fernandes Vieira. O primeiro tinha liderado os ndios na resistncia 
contra o invasor, mas passou para o campo do inimigo depois da queda da Paraba. Foi enviado  Holanda, onde casou-se com uma holandesa e, para ressarcir-se das 
despesas que teve, cobrou  Companhia das ndias Ocidentais pela ajuda prestada no Brasil. Depois de alguns anos, Morais deixou mulher e filhos, voltando para o 
Nordeste como negociante. Quando, no incio da revolta, foi capturado pelos portugueses, salvou sua pele passando de novo para o campo catlico romano. Quando foi 
preso pela Inquisio, defendeu-se habilmente diante dos seus inquisidores, insistindo que nunca tinha quebrado seus votos sacerdotais, mas, no reconhecendo o matrimnio 
hertico, somente tinha se amancebado com mulheres reformadas.60 Por sua vez, Joo Fernandes Vieira ajudou um conselheiro holands a achar o tesouro enterrado do 
seu antigo patro portugus e conseguiu crditos e mais crditos da Companhia at, em 1645, proclamar a "guerra da liberdade divina" para livrar o Brasil dos "herticos," 
aos quais ficou devendo 300.000 florins, importncia altssima para a poca.61 De fato, em tempo de guerra, a traio est "no ar." 

D. Interpretao Econmica 

Revendo esses poucos exemplos, poderamos ento postular que a interpretao mais simples para o caso de Calabar seria econmica. Talvez Calabar, como grande conhecedor 
da regio e dos acessos pelos rios, j fosse contrabandista antes e depois da invaso,62 e teria passado para os invasores em busca de dinheiro. Embora tudo indique 
que ele no precisava disto, pois j tinha adquirido propriedades e gado em Alagoas, um bom dinheiro sempre teria sido bem-vindo. Mas, se foi contrabandista, de 
certo havia cmplices, como deixou transparecer o seu prprio confessor.  que Calado relatou alguns detalhes da confisso de Calabar (com permisso do mesmo) ao 
general Matias; entretanto, este ordenou ao padre "que no se falasse mais nesta matria, por no se levantar alguma poeira, da qual se originassem muitos desgostos 
e trabalhos" (sem dvida para alguns portugueses importantes).63 Mas, afinal, ser que este moo abastado teria passado para o inimigo por dinheiro, pensando em 
aumentar a sua fortuna? Southey o acha mais provvel.64 Calado no o diz, nem Coelho, que somente menciona que Calabar passou a receber o soldo de um sargento-mor.65 
Tambm, atravs dos anos, no apareceu nenhum indcio disto nos documentos, nem a mais ligeira referncia como nos outros casos de peso. Ao contrrio, h indicaes 
de que ele recusou o suborno.66 Por outro lado, no parece muito provvel que Waerdenburch teria oferecido a Calabar o ttulo de capito caso mudasse de lado, pois 
desconfiava dele. Se prometeu algo nesse sentido, teria sido mais por uma questo de honra do que por uma razo financeira.67  E. Questo de Honra 

Uma interpretao bem mais provvel  essa questo de honra; talvez de glria, mas muito mais de reconhecimento, respeito, bom nome, dignidade. Vivendo no sculo 
XVII, por ser mestio e no portugus "de sangue puro," Calabar, apesar das suas qualidades, de certa forma era um inferior por causa da cor da sua pele, ainda que 
atualmente algumas pessoas tenham dificuldade em admitir esse fato histrico. Ainda quase um sculo e meio depois, o vice-rei do Brasil mandou degradar um cacique 
indgena que antes tinha recebido honras reais, pois "havia desprezado as mesmas... se baixando tanto que se casou com uma negra, manchando seu sangue."68 Mestiagem 
aviltada num Brasil mestio. Na poca de Calabar a situao no era muito melhor e parece que at os holandeses sabiam da discriminao racial contra Calabar.69 
Talvez baseando-se na histria de Southey, o romancista Leal faz Calabar pensar em "vingana de tantos desprezos e tantas humilhaes com que me tm amargurado os 
da vossa raa."70 E outro romancista, Felcio dos Santos, bem pode ter razo quando faz o napolitano conde Bagnuolo insultar Calabar chamando-o de negro. Seria mesmo 
o estopim que o fez sair do acampamento do Arraial do Bom Jesus e passar para os holandeses.71 Anos depois, o prprio governador de Pernambuco (1661-1664) escreveu 
que Calabar buscara entre os inimigos "a esperana que lhe impedia entre os nossos a vileza do nascimento." E falando sobre Henrique Dias, o heri africano da restaurao 
portuguesa, acrescenta: "Um negro, indigno deste nome, pelo que emendou ao defeito da natureza."72 Por outro lado, Calabar, o mameluco, deve ter observado como os 
holandeses tratavam melhor os seus escravos,73 e os ndios at mesmo com respeito, chamando-os de "brasilianos" por serem os primeiros moradores do vasto Brasil.74 
E quem sabe Calabar tambm fosse um tanto ambicioso e pensasse que poderia fazer carreira do outro lado,75 o que num certo sentido aconteceu, como Coelho lembra 
ao afirmar que "logo o fizeram capito."76 No foi to logo, mas de fato aconteceu.

F. Motivao Religiosa 

Resta ainda uma dupla de motivos que deve ser considerada, a poltico-religiosa. Estas so duas alavancas importantes da histria e naquele tempo estavam entrelaadas 
quase que inseparavelmente. Ser que houve algum motivo religioso na traio de Calabar? Representantes do pensamento cristo reformado como o presbtero holands 
coronel Waerdenburch, reconhecidamente um homem de Deus,77 ou o alemo Von Schoppe, ou o polons Arciszewski, devem ter tido uma influncia nesse sentido. Ser que 
Calabar leu o livro de Carrascon, ou "O Catlico Reformado" de Perkins,78 livros que j estavam circulando no Nordeste e sobre os quais frei Calado advertia constantemente 
os seus fiis em Porto Calvo, bero de Calabar? Anos depois Calado se lembrava de que se no tivesse ficado em Porto Calvo, "os pusilnimes haviam de ter titubeado 
na f, e haviam de estar envoltos em muitos erros e heresias. Porquanto os predicantes dos holandeses haviam derramado por toda a terra uns livrinhos que se intitulavam 
O Catlico Reformado em lngua espanhola, composto por Fulano Carrascon, cheios de todos os erros de Calvino e Lutero, e persuadiam os ignorantes (e ainda aos que 
no eram) de que a verdadeira religio era a que naqueles livros se ensinava."79

De fato, houve uma escolha religiosa voluntria por parte de Calabar, o que no era possvel na direo oposta.80 Ele podia ter passado para o lado holands sem 
filiao  "igreja do estado" e Brbara podia ter procurado um padre catlico romano para o batismo do seu filho. Calabar teria sido considerado um aliado valioso 
da mesma forma que os tapuias com o seu paj, os judeus com o seu rabino e os soldados franceses e napolitanos com o seu vigrio catlico romano. A entrada da famlia 
Calabar na igreja reformada foi voluntria e o batismo do seu filho na igreja reformada do Recife em 1634 aponta para isto.81 Finalmente, dez meses depois, no dia 
da sua execuo, Calabar reconheceu mais claramente os seus pecados e se mostrou to arrependido que os religiosos que o assistiram acharam que "Deus por meio de 
tal pena o quis salvar, dando-lha no prprio lugar de seu nascimento e onde tanto o havia ofendido."82 Quem sabe Calabar lembrou-se, como posteriormente o ndio 
Pedro Poti durante o seu suplcio, das primeiras frases do Catecismo de Heidelberg, escrito em tempos de perseguio pela Inquisio e memorizado pelos fiis: "Qual 
o teu nico consolo na vida e morte? Que, na vida e na morte, no perteno a mim mesmo, mas ao meu fiel Salvador, Jesus Cristo."83  G. Patriotismo  Finalmente, quanto 
ao aspecto poltico convm abordar o motivo do amor  terra natal, o patriotismo. Jos Honrio Rodrigues observa que talvez tenha sido Francisco de Brito Freyre 
(almirante da armada que reconquistou o Nordeste e posteriormente governador de Pernambuco), "dos primeiros a manifestar, ao se referir a Calabar, sentimentos patriticos 
em relao ao Brasil," quando diz que Calabar foi enforcado em Porto Calvo, "ptria sua."84 Recentemente, o historiador Flvio Guerra defendeu esse sentimento de 
patriotismo e, ao mesmo tempo, o dio luso-brasileiro contra a opresso da Espanha. El-rei teria praticamente abandonado o Brasil e quando chegou o reforo sob o 
comando de Bagnuolo, os estrangeiros receberam, por ordem rgia, tratamento melhor do que os "moradores da terra," dos quais alguns foram indo para suas casas, conforme 
Calado. Por outro lado, os holandeses prometiam menos impostos do que os espanhis e tentaram trazer Calabar para si. "A catequizao do mameluco estivera sendo 
trabalhada por um tal de Joer," agente dos invasores, catlico romano, que falava muito bem o idioma do Brasil. Finalmente Calabar teria escrito ao governador Waerdenburch, 
dizendo: "Passei para essa causa sem querer recompensa, e vim para melhorar minha terra, que no tem liberdade de espcie alguma." Waerdenburch teria confirmado 
 Holanda que "Calabar s se colocou ao nosso lado por convico, pois recusou as recompensas que vossas senhorias lhe haviam mandado. Diz estar certo de que a sua 
ptria ir melhor do que com os espanhis e os portugueses." Guerra conclui que "convices talvez erradas mas honestas... decorreram do seu idealismo... (para) 
melhor servir  ptria." E quando, depois, o general Matias acenou com anistia total na tentativa de traz-lo de volta, Calabar teria respondido: "Tomo Deus por 
testemunha de que meu procedimento  o indicado pela minha conscincia de verdadeiro patriota, no como traidor, mas como patriota." E no fim, em Porto Calvo, antes 
de entregar-se, teria escrito ao governo holands no Recife: "Serei um brasileiro que morre pela liberdade da ptria." Infelizmente, no conseguimos localizar os 
documentos em que a informao de Guerra se baseia. Mesmo assim, a base histrica parece muito slida.85 

Concluso 

Pessoalmente, tenho a impresso de que o motivo que impulsionou Calabar foi um pouco mais "caleidoscpico." O fator centrfugo ou negativo mais forte talvez tenha 
sido a ira, ira contra o desprezo racial, inclusive, quem sabe, dio contra o seu pai portugus (desconhecido?), uma ira impotente contra a primeira onda de invasores 
na terra dos "brasilianos." Se fosse fugitivo, a segurana lhe acenaria. Todavia, o fator positivo mais forte certamente teria sido o seu patriotismo, enfatizado 
por Flvio Guerra. 

A descrio intuitiva de Joo Felcio dos Santos talvez possa estar perto da resposta que se esconde na nvoa da histria. Para Felcio, esse amor  terra natal 
era patente em todas as fases da vida do soldado, quem sabe um desejo de realmente ver "ordem e progresso" no Brasil (talvez o sonho de servir, no a si mesmo, mas 
 comunidade, com justia e paz). Como menino, o romancista faz Calabar estudar em um colgio de jesutas onde se ensinava uma obedincia incondicional  coroa catlica 
romana de Castela, mas faz o menino responder que somente devia obedincia  sua me e  terra brasileira. Como jovem, ele teria percebido que os holandeses amavam 
o Brasil pela construo e limpeza do Recife (e podia ter acrescentado: por planos de melhorias como o ensino primrio generalizado, limpeza dos limpos, proibio 
do corte do pau-brasil e do cajueiro, etc.). Finalmente, Felcio faz Calabar adulto dizer ao frei Calado, seu confessor, defendendo-se do epteto de traidor: "So 
partidrios dos flamengos todos os que querem esta terra farta e acarinhada, sejam eles de que nao forem."86 Provavelmente foi isto em essncia que Chico Buarque 
tambm quis enfatizar, em 1973, com seu musical "Major Calabar."87

Na verdade,  pergunta "Por que Calabar passou para o outro lado?" temos de responder por enquanto com um "non liquet," pois, mesmo do lado holands, nem o meticuloso 
cronista De Laet (1644) e nem o panegirista Barlaeus (1647) mencionam motivo algum. De Laet registra somente que "para os nossos passou um mulato, de nome Domingo 
Fernandes Calabar" e Barlaeus observa que esse "portugus abandonou o partido do rei (da Espanha) pelo nosso," mencionando a sua terrvel morte por causa da sua 
infidelidade.88 Talvez seja pessimista demais a concluso de Capistrano de Abreu: "nunca se saber."89 Se for localizada uma das cartas mencionadas por Flvio Guerra, 
teremos uma resposta clara e autntica. Mas, de fato, atualmente no sabemos com certeza. Na velha Roma, os juzes podiam usar seu "NL" com discrio, porm sem 
constrangimento. Era uma placa cujas letras queriam dizer "non liquet," isto , o assunto no est claro (lquido). Se, depois de ouvir as testemunhas, o caso ainda 
no estava claro, eles erguiam as suas plaquinhas "NL" na hora da votao. No era um atestado de ignorncia, nem prova de indeciso, mas de juzo. Era um sinal 
humilde de que estavam no limite da interpretao honesta dos dados conhecidos. Precisamos ter sabedoria e coragem para erguer o "NL," porque no caso do capito 
Calabar por enquanto no sabemos mesmo. Provavelmente, ele foi movido por um misto de motivos, tendo o amor  sua terra natal como Leitmotiv. Porm, foi sempre uma 
motivao mesclada, pois "o corao tem razes que a prpria razo desconhece" (Blaise Pascal).

Apeldoorn, Holanda, 08-05-2000 A.D. 
Dedicado ao meu irmo e colega Rev. Klaas Kuiper (bigrafo de Joo Ferreira de Almeida [1628-1691], o tradutor da Bblia para o portugus e pastor da "Santa Igreja 
Crist Catlica Apostlica Reformada" em Jakarta, Indonsia).

Post Scriptum 
Quanto aos cinco documentos mencionados por Guerra (Aventura, 79-84, 103; Calabar, 42, 69), os mesmos poderiam encontrar-se em Haia, no Rio ou em Recife. Os originais 
deviam estar no Arquivo Real de Haia, na Holanda (Algemeen RijksArchief), nas respectivas caixas de cartas escritas do Recife para os Estados Gerais dos Pases Baixos 
(ARA-AStG 5753 e 5754; 1631-34 e 1635) ou para os Senhores XIX (ARA-OWIC 49 e 50; 1630-32 e 1633-35). As cpias podem estar no Brasil, pois as transcries das missivas 
aos Estados Gerais (1854) constituem hoje a "Coleo Caetano," no Rio de Janeiro; as transcries das cartas aos Senhores XIX (1886) formam a famosa "Coleo Jos 
Higino," no Recife. Os documentos procurados (originais, cpias ou tradues; principais ou anexados) devem ser os seguintes:

(a) Carta de 14-11-1631 de "Aldiembert" a Holanda (Estados Gerais ou Senhores XIX). Guerra informa que segundo Assis Cintra "[Aldiembert] 'teria dito' que Calabar 
'apesar de ter sofrido injustamente dos seus patrcios por ser mulato, tem recusado aceitar o nosso oferecimento de dinheiro e honrarias'" (Ver notas 66 e 69. Guerra, 
Aventura, 83).

(b) Carta entre 22 e 30-04-1632 de Calabar (ao Governador Waerdenburch?). Guerra diz: "Conta-se que Calabar escreveu: '... vim para melhorar minha terra'" (Nota 
85. Guerra, Aventura, 84). 

(c) Carta entre 22 e 30-04-1632 de Waerdenburch  Holanda (Estados Gerais ou Senhores XIX). Guerra, fazendo citao: "(Calabar) s se colocou ao nosso lado pela 
convico, pois recusou-se a recompensas que vossas senhorias lhe haviam mandado. Diz que est certo que conosco a sua ptria ir melhor do que com os espanhis 
e os portugueses. Envio-lhes uma carta [de certo a carta "b"] que nos mandou comunicando a sua adeso ... Iremos atacar agora Igarau" (Notas 66 e 85. Guerra, Calabar, 
42).

(d) Carta (entre 01-05-1632 e 03-1635?) de Calabar a Matias de Albuquerque. Guerra informa que a carta (descoberta no ARA por W. Wallitz)  uma resposta  oferta 
de anistia total para Calabar, dizendo: "Tomo Deus por testemunha de que meu procedimento  o indicado pela minha conscincia de verdadeiro patriota... no como 
traidor, mas como patriota" (Nota 85. Guerra, Calabar, 44s).

(e) Relatrio do Major Picard (depois de 19-07-1635) sobre a capitulao de Porto Calvo. Guerra informa que no relato (traduzido do holands por Wallitz e divulgado 
por Assis Cintra), Picard diz que Calabar insistiu que aceitassem as condies da capitulao e afirmou: "Serei um brasileiro que morre pela liberdade da ptria." 
Ao Governo no Recife Calabar escreveu: "Vs, os holandeses, oferecestes a liberdade ao Brasil, ao meu amado Pernambuco. Um homem como eu que recusou honras e proventos, 
no  traidor; se houve traio foi uma traio justificada pela nobreza do motivo ..." (Nota 85. Guerra, Calabar, 69). 

Infelizmente, ainda no conseguimos localizar nenhum desses documentos em Haia (AStG ou OWIC; somente a traduo de um breve relato de Picard numa missiva portuguesa 
que no menciona Calabar, em OWIC 50), e eles no constam dos ndices das colees do Recife ou do Rio de Janeiro. As outras cartas de Waerdenburch em 1631 e 1632 
foram seis aos Senhores XIX (07-10 e 09-11-1631; 06-01, 09-05, 16-08 e 12-11-1632) e nove aos Estados Gerais (12-02, 24-03, 31-05, 03-08, 07-10 e 09-11-1631; ?-01, 
09-05, 16-08-1632). Porm, nelas (mormente na de 09-05-1632, ver nota 21) as informaes procuradas no foram encontradas. Temos de reconhecer que isto s vezes 
acontece com informaes histricas slidas por perda de documentos originais, perda essa acidental (como em F.A. Pereira da Costa, Annais Pernambucanos, III:5) 
ou intencional (bvia pela seqncia de documentos referentes ao Brasil atualmente ausentes do Arquivo dos Estados Gerais; ver Schalkwijk, Igreja e Estado, p. 201, 
n. 112; 465:2.1.5; 466:2.4). Documentos extraviados so a frustrao do historiador e apelamos aos que tm alguma pista dos documentos perdidos do Arquivo dos Estados 
Gerais que se comuniquem com o Algemeen RijksArchief, 2595BE, Den Haag, Holanda.

Guerra menciona como sua fonte Assis Cintra. Cintra publicou sua defesa de Calabar em 1933 (A Reabilitao Histrica de Calabar: Estudo Documentado, Onde Prova que 
Calabar no Foi Traidor. Depoimento, Acusao, Defesa e Reabilitao. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1933). A sua tese pode ter sido mal defendida e no 
muda o fato da traio (Rodrigues, Bibliografia, p. 423, #964), mas o importante era a sua documentao. Mesmo que, em 1933, certos documentos dos Estados Gerais 
j tivessem desaparecido do arquivo de Haia, Cintra ainda teria  disposio as transcries da Coleo Caetano, no Rio de Janeiro, a no ser que esses cinco documentos 
no tenham sido transcritos. Seria uma coincidncia, mas tem ocorrido com outros documentos, mormente com anexos interessantes. Infelizmente no h condies no 
momento de consultar Cintra, Recife ou Rio de Janeiro.

Notas 
1 Do lado portugus, a principal fonte de informaes deste perodo  Duarte de Albuquerque Coelho, Memrias Dirias da Guerra do Brasil, 1630-1638 (Madri: 1654; 
Recife: Secretaria do Interior, 1944), que menciona Calabar em muitas pginas. Do lado holands, Joannes de Laet, Iaerlijck Verhael, 4 vols. (Leiden: 1644; 's-Gravenhage: 
Linschoten Vereniging, 1931-1937); traduo portuguesa: Histria ou Annaes dos feitos da Companhia Privilegiada das ndias Occidentais desde o seu comeo at o fim 
do ano de 1636, 2 vols. (Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1916-1925).
2 J. da Silva Mendes Leal, Calabar (Rio de Janeiro: Correio Mercantil, 1863), p. 140, sugere que o seu nome era Domingos Fernandes, apelidado "o Calabar." Com isto 
parece concordar a informao do general Matias de Albuquerque, de que o "primo co-irmo" de Calabar era Antnio Fernandes, sendo ambos nascidos, batizados e criados 
na parquia de Porto Calvo (Coelho, Memrias, 197; 31-03 e 01-04-1634). De igual modo, alguns dos primeiros documentos holandeses no mencionam o nome Calabar, mas 
somente "Domingo Fernando," como na carta do coronel Waerdenburch aos Diretores da Companhia das ndias Ocidentais, os chamados "Senhores XIX," em 12-11-1632, sobre 
a incurso contra Barra Grande: "...porque o mesmo nasceu ali e  grande conhecedor."
3 Frei Manuel Calado do Salvador, Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade (Lisboa: 1648; Recife: Cultura Intelectual de Pernambuco, 1942; 2 vols.), I:48; ngela 
Alures Coelho, Memrias, 120: me e alguns parentes. F.A. de Varnhagen, Histria Geral do Brasil (Rio de Janeiro: 1854-1857; So Paulo: Melhoramentos, 1956, 5 ed.), 
I:277: ngela lvares.
4 Frei Calado chama Calabar de "mancebo mameluco, mui esforado e atrevido" (Lucideno, I:32). Por servir como proco em Porto Calvo por alguns anos, Calado conhecia 
melhor o parentesco de Calabar. s vezes Calado chama-o de mulato (com desprezo? Lucideno, I:48). Coelho, Memrias, p. 120 (o "mulato" Calabar; 20-04-1632); p. 68 
(o "pardo" ferido, 14-03-1630). Laet, Verhael, III:95, 96: "mulaet." Tambm depois, s vezes, chamado de mulato, como por R. Southey, Histria do Brasil (Londres: 
1810-1819; So Paulo: Obelisco, 1965), II:164; mas, nas notas, o cnego J.C. Fernandes Pinheiro afirma que "todos os nossos cronistas qualificam a Calabar de mameluco 
e no de mulato" (p. 205, n. 13). Pedro Calmon, Histria do Brasil (Rio de Janeiro: Olympio, 1961), II:597, nota, julga que pelo nome africano, Calabar, de certo 
era negro ou mulato. No interior de Pernabuco, por volta de 1600, deve ter havido muitos mamelucos (mestios ndio-europeus), mulatos (mestios africano-europeus) 
e cafuzos (mestios ndio-africanos; Alagoas: "pelos cafus," ao anoitecer), de sorte que um mameluco bem podia ter alguns traos africanos e ser chamado mulato. 
Joo Felcio dos Santos, Major Calabar (So Paulo: Crculo do Livro, s.d. [1 ed. 1960]; ed. integral): mameluco. Romances usam liberdades histricas (ex: Felcio 
faz Maurcio de Nassau filho do "stadhouder" da Holanda, etc.), mas podem ajudar na interpretao dos fatos.
5 Coelho, Memrias, 197: "onde foram batizados" (isto , Calabar e seu primo Antnio). Flvio Guerra, Uma Aventura Holandesa no Brasil (Recife: Companhia Editora 
de Pernambuco, 1977), 78s: ainda menino, Calabar foi parar, "no se sabe como, nem conduzido por quem," em Olinda e batizado no dia 15-03-1610 na ermida do engenho 
N.S. da Ajuda, de Jernimo de Albuquerque, sendo padrinhos Afonso Duro, rico colono de vora, Portugal, e sua filha D. Ins Barbosa, nascida em Pernambuco. Flvio 
Guerra, Calabar: Traidor, Vilo ou Idealista (Recife: ASA Pernambuco, 1986). Talvez com a frmula: "Si non baptizatus es, ego te baptizo..."
6 Guerra, Aventura, 78: em 1628 Calabar tinha trs engenhos de acar em Porto Calvo e participava da procura das lendrias minas de prata de Caramuru. Novo Dicionrio 
de Histria do Brasil, 2 ed. (So Paulo: Melhoramentos, 1971), s.v. "Calabar" (o artigo merece reparos). Os batavos foram os primeiros moradores histricos da Holanda.
7 Naquela poca, os Pases Baixos, pertencentes  coroa da Espanha, englobavam Blgica e Holanda, com capital em Bruxelas. A palavra "flamengos," freqentemente 
usada para "holandeses," refere-se propriamente aos moradores do norte da atual Blgica. Ver a histria sociolgica do Dr. Jos Antnio Gonalves de Mello, Tempo 
dos Flamengos (Recife: Secretaria de Educao e Cultura, 1978).
8 C.R. Boxer, Os Holandeses no Brasil, 1624-1654 (So Paulo: Editora Nacional, 1961; traduo de The Dutch in Brazil, 1624-1654 [Londres: Oxford University Press, 
1957]), p. 45. Em 1630, havia 137 engenhos de acar, com uma produo de 700.000 arrobas, ou seja, 10.500.000 quilos por ano. O livro de Boxer d um timo resumo 
da histria geral da poca. Evaldo Cabral de Mello, Olinda Restaurada: Guerra e Acar no Nordeste, 1630-1654 (Rio de Janeiro/So Paulo: Forense-Universitria/Universidade 
de So Paulo, 1975).
9 Panfleto De Portogysen goeden Buyrman (O bom vizinho portugus; Lisbon: Drucksael daer uyt-hangt het Verradich Portugael, 1649. Sic: Lisboa? Sala de impresso 
com a placa Portugal Traidor? ), p. 13.
10 Jos Honrio Rodrigues, Civilizao Holandesa no Brasil (Rio de Janeiro: Nacional, 1940), p. 169: "capa cultural." Ver E.van den Boogaert, ed., Johan Maurits 
van Nassau-Siegen, 1604-1679: A Humanist Prince in Europe and Brazil. Essays on the Occasion of the Tercentenary of his Death ('s-Gravenhage: The Johan Maurits van 
Nassau Stichting, 1979).
11 C.R. Boxer, The Dutch Seaborne Empire (Londres: Hutchinson, 1965), 108. 
12 Panfleto Veroveringh van de Stadt Olinda (Conquista da cidade de Olinda; Amsterdam: J. Luyck, 1630). Rev. J. Revius, Biechte des Conincx van Spanjen (Confisso 
do rei da Espanha mortalmente doente pela perda de Pernambuco; S.l.: s.e., 1630): "mea gravissima culpa."
13 Instruo do almirante Lonck de 01-08-1629 sobre "onze rechtvaardige oorlog," nossa guerra justa contra a Espanha. Sobre a questo da liberdade religiosa durante 
esta poca, ver F.L. Schalkwijk, Igreja e Estado no Brasil Holands, 1630-1654, 2 ed. (So Paulo: Vida Nova, 1989), 335-458.
14 F.J. Moonen, Holandeses no Brasil (Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1968), 53.
15 E. Fischlowitz, Christoforo Arciszewski (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1959).
16 Laet, Verhael, III:143.
17 Ver F.A. Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, 10 vols. (Recife: Arquivo Pblico Estadual, 1952-1966), III:12-19.
18 Boxer, Holandeses, 63, nota 27.
19 Ver nota 1. Somente em 1817 Alagoas tornou-se uma capitania independente de Pernambuco.
20 Coelho, Memrias, 120 (20-04-1632). Matias era irmo do donatrio Duarte de Albuquerque Coelho.
21 Em 01-05-1632, Waerdenburch fez uma incurso a Igarau "sob a fidelidade ou infidelidade de um negro que me serviu de guia" (carta aos Estados Gerais, 09-05-1632; 
provavelmente a primeira referncia a Calabar nos documentos holandeses). F.A. de Varnhagen, Histria das Lutas com os Hollandezes no Brasil desde 1624 a 1654 (Lisboa: 
Castro Irmo, 1872), 59. At novembro de 1632 provavelmente surgiu certa dvida por causa da confisso do colaborador Leendert van Lom, que alertou o governo a no 
confiar em nenhum portugus e que suspeitava de "Domingo Fernando," que joga (cartas) com capites (de barcos) portugueses, dando-lhes dinheiro e chamando-os de 
primos (o que no so)." Porm, na hora da execuo Lom hesitou em confirmar os nomes dos portugueses, de sorte que ficou a incerteza (Laet, Verhael, III:107).
22 Coelho, Memrias, 138 (07-02-1633).
23 Ibid., 197 (31-03 e 01-04-1634).
24 Os protestantes, inclusive o pastor Joo Ferreira de Almeida, insistiram que no pertenciam a uma nova seita, mas  igreja crist "catlica reformada," no catlica 
romana. Ver Schalkwijk, Igreja e Estado, 234s.
25 No dia 20-09, no em 10-09 como foi sugerido pela edio impressa do Doopboek por ter omitido "Sept. 20" (Livro de Batismos da Igreja Reformada do Recife, 1633-1654, 
publicado por C.J. Wasch, Nederlandsch Familieblad, 5 e 6, 1888-1889). Frei Calado diz que Calabar travou amizade com Von Schoppe tomando-o "por compadre de um filho 
que lhe nasceu de uma mameluca, chamada Brbara, a qual levou consigo e andava com ela amancebado." Calado no reconheceu o matrimnio protestante (Calado, Lucideno, 
I:32, seguido por J.B.F. Gama, Memrias Histricas da Provncia de Pernambuco, 2 ed., 2 vols. [Recife: Secretaria da Justia/Arquivo Pblico Estadual, 1977], I:239). 
O colaborador Leendert van Lom afirmou (hesitando porm na hora da execuo) que "a mulher de Domingo" falou que todos os holandeses deviam ser mortos  bala ("Domingos 
vrouw," Laet, Verhael, III:107). Em 1636, as atas do governo no Recife falam sobre "a viva de Calabar" (Dagelijkse Notulen, 13-04-1636). Mameluca (Calado, Lucideno, 
I:14). Parece que Brbara tambm era natural de Porto Calvo, porque em maro de 1635 o cunhado ("swagher") de Calabar traz notcias de que os grandes da povoao 
querem discutir (a rendio; Laet, Verhael, IV:151). Leal, no seu romance, desconhece Brbara (Leal, Calabar, passim).
26 Magtelt Daays. Engana-se o romancista Felcio ao fazer Brbara e o filho morrerem em 1631 (Santos, Calabar, 97 e 102). Coelho, Memrias, 116.
27 Pastores no Recife no ano de 1634: Christianus Wachtelo (1630-1635) e Daniel Schagen (1634-1637), este mais ligado ao exrcito. 
28 Sobre Calado, ver J.A.G. de Mello, "Frei Manuel Calado do Salvador," Restauradores de Pernambuco (Recife: Imprensa Universitria, 1967). Era um religioso da ordem 
de So Paulo. 
29 Calado, Lucideno, I:46-48. "E como se havia de entender aquela promessa dos concrtos, que ficaria a merc d'El-Rei." Calado justifica o no cumprimento do " 
merc d'el-rei," considerando o general Matias como representante do rei. Varnhagen, Histria geral, I:263, "(Calabar) esperanado talvez de ter algum meio de escapar-se, 
se em tempo de guerra andassem com ele, de uma parte para outra,  espera de ordens da metrpole."
30 Enforcado, dizem Calado (Lucideno, I:47) e Coelho (Memrias, p. 264); garroteado, diz Guerra (Aventura, 103). Joo Ribeiro, Histria do Brasil, 19 ed., rev. 
por Joaquim Ribeiro (Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1966), 152: "como  prprio da fraqueza humana, vingaram-se." Mas parece que alta traio exigia este tipo 
de execuo (ver Laet, Verhael, III:107, o traidor Leendert de Lom foi decapitado e esquartejado no Recife). O problema era o no cumprimento total das clusulas 
(escritas ou orais) da rendio, pois teriam dado quartel a Calabar, "a merc d'el-rei" (Calado, Lucideno, I:46-48; Carta do governo no Recife aos Senhores XIX, 
23-08-1635, prometido o quartel. Laet, Verhael, IV:169).
31 Calado, Lucideno, I:46-48, com Calabar durante quatro horas pela manh e mais trs horas  tarde; lgrimas e arrependimento. Leal se engana fazendo padre Manuel 
de Morais confessor de Calabar (Leal, Calabar, IV:135).
32 Calado, Lucideno, I:47. Coelho, Memrias, 264 (22-07-1645), aguazil (funcionrio administrativo e judicial) dos holandeses em Porto Calvo. Castro ou Crasto: Laet, 
Verhael, IV:162, Manuel de Crasto Fortado. 
33 J. Capistrano de Abreu, Captulos de Histria Colonial, 4 ed. (Rio de Janeiro: Briguet, 1954), 155.
34 J. Verssimo qualifica os motivos, sem mencion-los: "Foram vis e infamantes os mveis que o fizeram bandear-se" ("Os Hollandezes no Brazil," Revista do Instituto 
Arqueolgico, Histrico e Geogrfico Pernambucano [RIAP] 54:127).
35 Ver Ruy dos Santos Pereira, Piso e a Medicina Indgena (Recife: Instituto Histrico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco, 1980), 23. 
36 Calado, Lucideno, I:14, 46-48. Rodrigues diz sobre esse "saboroso livro" (no Index, ndice de Livros Proibidos, de 1655 at 1910) que o desejo de Calado "de ver 
o Brasil livre dos holandeses ... conduziram-no muita vez ao erro,  parcialidade,  falsidade." Mas "foi uma injustia ... quando (Varnhagen julgou a obra) defeituosa 
e sem dignidade histrica"; Jos Honrio Rodrigues, Historiografia e Bibliografia do Domnio Holands no Brasil (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1949), 11,12. 
Boxer, Holandeses, p. 68, n. 34,35. Mello, Calado, 9: ", no uma histria, mas o depoimento de um contemporneo ... a fim de influir sobre o Rei a favor dos insurretos 
..." (1648).
37 Coelho, Memrias, 264 (22-07-1635). Guerra: Coelho precisava de um bode expiatrio (Aventura, 79).
38 Varnhagen, Histria das Lutas, 58; Histria Geral, I:277. H. Wtjen, O Domnio Colonial Hollandez no Brasil (So Paulo: Editora Nacional, 1938), 119: "um trnsfuga," 
sem mencionar motivos.
39 Southey, Histria, II:212, 239, n. 1. Francisco de Brito Freyre, Nova Lusitnia: Histria da Guerra Braslica (Lisboa: 1675; Recife: Secretaria de Educao e 
Cultura, 1977). Gioseppe di S. Teresa, Istoria delle Guerre del Regno del Brasile (Roma: Corbelletti,1698), "compilao pouco estimvel," conforme Rodrigues (Bibliografia, 
147). Raphael de Jesus, Castrioto Lusitano (Lisboa: 1679; Recife: Assemblia Legislativa de Pernambuco, 1979), na sua maior parte cpia de Calado.
40 Guerra, Aventura, 94, 102.
41 Coelho, Memrias, 68, 120.
42 Ibid., 264 (22-07-1635). Nota 131: "Traduo literal do texto espanhol." A traduo (Melo Morais, 1855) rezava: "por sua infidelidade e crimes." Rodrigues avalia 
esta traduo como "indigna de apreo pelos seus erros e omisses" (Bibliografia, 223, tem 410). Leal sugere que Calabar tentou organizar com uns cmplices um desastre 
no Arraial para acabar com a guerra, e teria fugido depois de pr fogo na barraca do general Matias (Leal, Calabar, II:104,132).
43 Ver Laet, Verhael, III:95 (Barra Grande, 09-1632); III:112 (Camaragibe, 12-1632); II:190 (descrio do litoral de Porto Calvo). Coelho, Memrias, 197 (Barra Grande, 
04-1634).
44 Ver Schalkwijk, Igreja e Estado, 234, n. 81.
45 Como sobre a morte do almirante Pater envolvido na bandeira holandesa. Varnhagem, Histria Geral, I:276 (n.V).
46 Boxer, Holandeses, 71, n. 38.
47 Guerra, Aventura, 79ss. Guerra, Calabar, 36.
48 Coelho, Memrias, 263 (19-07-1635: "o general assegurou [ao inimigo] que arriscaria a sua prpria pessoa para no perder das mos a de Calabar"); p. 264 (22-07-1635: 
"to firme em no entreg-lo." Varnhagen, Histria Geral, I:263, "(Calabar) traidor por todos os sculos dos sculos."
49 Calado, Lucideno (1648), I:46. Opinio copiada ao p da letra por Diogo Lopes Santiago, Histria da Guerra de Pernambuco (1660?; Recife: Fundarpe, 1984), 92, 
e Raphael de Jesus, Castrioto Lusitano (p. 115). Assim tambm Varnhagen, Histria Geral, I:263. Mas o prprio donatrio reconheceu que os holandeses fizeram muitos 
esforos para salvar a vida de Calabar: (Deus permitiu que) "o nosso general estivesse to firme em no entreg-lo, a despeito de tamanhas instncias que fazia o 
inimigo" (Coelho, Memrias, 264, 22-07-1635). 
50 Calado, Lucideno, II:241: "se no foram os judeus ..." Panfleto Portugysen, 13.
51 Coelho, Memrias, 262 (17 e 18-07-1635). Laet, Verhael, IV:168.
52 Coelho, Memrias, 263 (19-07-1635). Brito Freyre, Nova Lusitnia, 349: "persuadindo-os a se renderem, capitularam." No h provas do engano sugerido por Freyre. 
Guerra, Aventura, 102, parafraseando: "O mameluco, ante a recusa de Picard em atender a intimao do 'terrbil,' reagiu, e, com rara altivez e coragem, retorquiu 
para o enviado do inimigo: 'Ide e dizei ao General Matias de Albuquerque que o Coronel Picard aceita a proposta'."
53 Calado, Lucideno, I:32.
54 A Companhia reconheceu o valor de Calabar: o diretor De Laet escreveu que esse homem corajoso e forte "fez mui grandes servios" (Laet, Verhael, IV:162,171). 
Ntulas Dirias do Governo no Recife, 13 de abril de 1636 (ver 24-01-1636). A viva do pastor Stetten e seus filhos receberam uma ajuda provisria (Ntulas Dirias, 
12-07-1647), suspensa em junho de 1650 (carta da D. Raquel  Stetten ao pastor P. Wittewrongel, de Amsterdam - Recife, 18-05-1652 (GAA-ACA 88, 4, p. 167-169).
55 G. Groenhuis, De Predikanten (Groningen: Wolters-Noordhoff, 1977), 36.
56 Coelho, Memrias, 120 (20-04-1632).
57 Ver J.A.G. de Mello, "A Situao do Negro sob o Domnio Holands," em Gilberto Freyre e outros, Novos Estudos Afro-Brasileiros (Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 
1937).
58 Informaes geralmente contidas nas "cartas gerais" do governo no Recife aos Senhores XIX, 1630-1632 (ver o ndice da coleo "Brieven en Papieren" no Instituto 
Histrico no Recife; RIAP 30:129-144).
59 Pedidos de Hooghstraten ao Conselho Ultramarino em Lisboa para pagar o soldo prometido (Lisboa, Arquivo Histrico Ultramarino, cod. 14:88 e 278:230v, de 28-09-1647 
e 25-02-1649).
60 Boxer, Holandeses, 380-382. Muitas referncias nos documentos holandeses. 
61 J.A.G. de Mello, Joo Fernandes Vieira, 2 vols. (Recife: Imprensa Universitria, 1967), I:105-127. 
62 Abreu, Captulos, 155.
63 Calado, Lucideno, I:48.
64 Southey, Histria, II:164.
65 Coelho, Memrias, 264 (22-07-1635).
66 Guerra, Aventura, 83: segundo Assis Cintra "[Aldiembert] 'teria dito' que Calabar, 'apesar de ter sofrido injustamente dos seus patrcios por ser mulato, tem 
recusado aceitar o nosso oferecimento de dinheiro e honrarias'." Guerra, Calabar, 42: Waerdenburch teria escrito  Holanda que "(Calabar) s se colocou ao nosso 
lado por convico, pois recusou-se a recompensas que vossas senhorias lhe haviam mandado." Ver o post scriptum deste artigo.
67 Santos, Major Calabar, 107 (capito Jouer de Haia, o "lngua," tradutor), 113-115. Calabar era capito, no major, ver Laet, Verhael, IV:162s, em Porto Calvo, 
julho de 1635, Major Picard, Capiteyn Langley, Capiteyn van Exel, Capiteyn Domingo Fernandes Calabar, Capiteyn Jan Muller.
68 C.R. Boxer, Race Relations in the Portuguese Colonial Empire, 1415-1825 (Oxford: Clarendon, 1963), 86-130; 1771.
69 Guerra, Aventura, 83: Calabar "(sofreu) injustamente dos seus patrcios por ser mulato." Ver nota 66 e o post scriptum deste artigo.
70 Southey, Histria, II:164: "se o tratamento recebido dos comandantes o desgostou." Leal, Calabar, I:141, em um conclave com conspiradores, faz Calabar dizer: 
"A minha raa  outra ... Tolerais-me quando vos sou til" (II:100), e faz com que o futuro sogro de Joo Fernandes Vieira bata com um ferro no rosto de Calabar, 
marcando-o (I:146; "ansiedade de vingana, III:29; IV:104). Ambos, Vieira e Calabar, seriam apaixonados por Maria Csar (I:141), sugerindo ainda outro motivo. Isso, 
porm, no  vlido, pois Leal desconheceu Brbara (nota 25).
71 Santos, Major Calabar, 112s. Leal, no seu romance histrico, no aproveita o desgosto geral contra Bagnuolo por faz-lo chegar depois da desero de Calabar (Leal, 
Calabar, IV:54). Calado, segundo Boxer,  um crtico muito escarninho de Bagnuolo (Boxer, Holandeses, 68, n. 35).
72 Brito Freyre, Nova Lusitnia, 240, 254. 
73 Ver nota 57. Observe-se sobre o tratamento dos escravos, as instrues de Joo Fernandes Vieira e as de Nono Olferdi para os novos colonos no Sergipe. Schalkwijk, 
Igreja e Estado, 74, n. 81.
74 Tambm o ndio Pedro Poti, membro da igreja crist reformada, assina a sua carta na lngua tup como "regedor (dos) brasilianos em Paraba" (31-10-1645). Talvez 
fosse bom usar de novo este nome arcaico, porm honorfico, como coletivo para todas as nossas tribos indgenas em geral. "Brasilianen," passim nos documentos holandeses 
para as tribos tupis (como tupinambs, potiguaras, sergipes, etc.), distinguindo-os dos tapuias (nhanduis, cariris). Os (luso) "brasileiros" eram chamados "portugueses" 
ou "moradores." Calado, Lucideno, I:xvi, "brasilianos" no sentido de "moradores."
75 Abreu, Captulos, 155.
76 Coelho, Memrias, 264 (22-07-1635).
77 Carta de Dom. (Rev.) Pistorius aos Senhores XIX, Recife, 04-11-1631.
78 Schalkwijk, Igreja e Estado, 231-235.
79 Calado, Lucideno, I:68s.
80 Schalkwijk, Igreja e Estado, caps. 12-15, sobre a liberdade religiosa nessa poca, mormente pp. 388-458.
81 Ver notas 25 e 26.
82 Coelho, Memrias, 264 (22-07-1635). Brito Freyre, Nova Lusitnia, 350: "com piedosas mostras de verdadeiro arrependimento e lgrimas constantes, nascidas mais 
do temor de Deus que do receio do castigo." Guerra, Aventura, 103: "firme e seguro, sem denotar arrependimento," ou seja, no se sabe se considerou a "traio" como 
pecado.
83 O Catecismo de Heidelberg (1563) era estudado dominicalmente nas igrejas reformadas. Havia no Brasil uma edio em espanhol, Catechismo (s.l.: Ioris van Henghel, 
1628, 135 p.), 1 pergunta e resposta. Sobre Poti, Schalkwijk, Igreja e Estado, 309.
84 Rodrigues, Bibliografia, 13. Brito Freyre (Armada: 1654; Governador: 1661-1664), Nova Lusitnia, 350.
85 Guerra, Aventura, 79-84, 103. Guerra, Calabar, 42, 69. Ver o post scriptum no fim deste artigo.
86 Santos, Major Calabar, 99, 101 e 205. Capito Jouer, ver nota 66.
87 A pea "Calabar" (com subttulo de "O Elogio da Traio" e msicas como "Brbara"), de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, foi proibida em 1973 pelo governo 
militar, mas liberada em 1980. O alvo era debater a figura do "traidor" por ocasio do sesquicentenrio da independncia (Veja, 14-05-1980, pp. 60ss). 
88 Laet, Verhael, III:98. Gaspar Barlaeus, Histria dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil (Amsterdam: 1647; Recife: Fundao de Cultura 
Cidade do Recife, 1980), 39.
89 Abreu, Captulos, 155. Muitos tm opinio semelhante, como Rocha Pombo, Histria do Brasil, 7 ed. (So Paulo: Melhoramentos, 1956), I:171; Southey, Histria 
do Brasil, II:164: "no se sabe"; Hlio Vianna, Histria do Brasil (So Paulo: Melhoramentos, 1961), etc.

Parte V
O SEGUNDO MANDAMENTO 
 
H um certo descompasso entre os Dez Mandamentos transcritos na Bblia Sagrada e os relacionados no Catecismo da Igreja Catlica (C.I.C.), 9a edio, Editora Vozes, 
1998. Tal desencontro poder gerar dvidas e estranheza no s entre os catlicos, mas tambm entre os novos evanglicos provindos daquela denominao. Para que 
a verdade prevalea, elaborei o presente trabalho que poder ser enriquecido com as observaes dos leitores. O Declogo no C.I.C. est assim redigido (pginas 548-650, 
itens 2083-2550): 

Primeiro Mandamento - "Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravido. No ters outros deuses diante de mim. No fars para 
ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe l em cima, nos cus, ou embaixo, na terra, ou nas guas que esto debaixo da terra. No te prostrars 
diante desses deuses e no os servirs (Ex 20.2-5)" (o grifo  meu). 

Segundo Mandamento - "No pronunciars o nome do Senhor, teu Deus, em vo (Ex 20.7)". 

Terceiro Mandamento - "Lembra-te do dia do sbado para santific-lo. trabalhars durante seis dias e fars todas as tuas obras. O stimo dia, porm,  o sbado do 
Senhor, teu Deus. No fars nenhum trabalho (Ex 20.8-10)". 

Quarto Mandamento - "Honra teu pai e tua me, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te d (Ex 20.12)". 

Quinto Mandamento - "No matars (Ex 20.13)". 

Sexto Mandamento - "No cometers adultrio" (x 20.14)". 

Stimo Mandamento - "No roubars (x 20.15)". 

Oitavo Mandamento - "No apresentars falso testemunho contra o teu prximo (x 20.15)". 

Nono Mandamento - "No cobiars a casa de teu prximo, no desejars sua mulher, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que 
pertena a teu prximo (x 20.17)". 

Dcimo Mandamento - "No cobiars... coisa alguma que pertena a teu prximo (x 20.17)". 

Observem que o primeiro e o segundo mandamentos foram arrolados num s, e o dcimo foi dividido em dois. Vejamos como esto na Bblia de Estudo Pentecostal, Almeida 
Revista e Corrigida, edio de 1995, o primeiro, o segundo e o dcimo mandamentos: 

Primeiro Mandamento - "No ters outros deuses diante de mim" (xodo 20.3; Deuteronmio 5.7). 

Segundo Mandamento - "No fars para ti imagem de escultura, nem alguma semelhana do que h em cima nos cus, nem em baixo na terra, nem nas guas debaixo da terra. 
No te encurvars A ELAS nem AS servirs". (as maisculas so nossas). (xodo 20.4-5; Deuteronmio 5.8-9). 

Dcimo Mandamento - "No cobiars a casa do teu prximo; no cobiars a mulher do teu prximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, 
nem coisa alguma do teu prximo"(xodo 20.17; Deuteronmio 5.21). 

No h razo para dividirmos em dois o mandamento de xodo 20.17. Trata-se de um s enunciado, uma proibio especfica de no cobiar pessoas, animais e objetos, 
e est expresso num nico e reduzido versculo. O nono e o dcimo mandamentos so iguais no Catecismo por uma razo simples: como o primeiro e o segundo foram unificados, 
ficou faltando um, o dcimo. A soluo foi criar dois mandamentos iguais. O Vaticano assim explica: 

"A diviso e a numerao dos mandamentos tm variado no decorrer da histria. O presente catecismo segue a diviso dos mandamentos estabelecida por Sto. Agostinho 
e que se tornou tradicional na Igreja Catlica.  tambm a das confisses luteranas. Os padres gregos fizeram uma diviso um tanto diferente, que se encontra nas 
igrejas ortodoxas e nas comunidades reformadas" (C.I.C. pg. 545, item 2066).

Para que no haja suspeio, vejamos os mandamentos numa Bblia "catlica", Edio Ecumnica, traduo do padre Antnio Pereira de Figueiredo, com notas do Mons. 
Jos Alberto L. de Castro Pinto: 

Primeiro Mandamento - "No ters deuses estrangeiros diante de mim" (xodo 20.3). 

Segundo Mandamento - "No fars para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo o que h em cima no cu, e do que h em baixo na terra, nem de coisa, que 
haja nas guas debaixo da terra. No as adorars, nem lhes dars culto" (O grifo  nosso). (xodo 20.4-5). 

Dcimo Mandamento - "No cobiars a casa de teu prximo: no desejars a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa 
alguma que lhe pertencer"(xodo 20.17). 

A Palavra de Deus no se altera ao longo da histria, e no podemos modific-la por nenhuma razo. Convm esclarecer que nas Bblias os mandamentos no esto numerados, 
mas pelo enunciado  possvel sabermos qual  o primeiro, qual o segundo, e assim por diante. Mas isto  um detalhe. O cerne da questo est no segundo mandamento. 
Incorporado o segundo mandamento ao primeiro, fortalece-se a idia de que as imagens proibidas estariam se referindo, somente, aos deuses antigos. Da porque o verso 
5, no C.I.C., refora essa idia: "No te prostrars diante desses deuses e no os servirs". 

 preciso notar que o versculo 4 refere-se especificamente a IMAGENS, e no a deuses. O versculo 5 ("no te encurvars/inclinars a elas nem as servirs") encontra-se 
afastado do versculo 3 ("no ters outros deuses diante de mim"). Os "deuses", portanto, no so a essncia da proibio do verso 4 e comeo do verso 5. Por isso, 
entendo que as verses que se reportam s imagens, e no aos deuses, ("no as adorars, no as servirs, no lhes dars culto") so as mais aceitas. So exemplos: 
Las Sagradas Escrituras-1569 ("No te inclinars a ellas, ni las honrars"); Almeida Revista e Corrigida, 1995 ("No te encurvars a elas nem as servirs"); Bblia 
Linguagem de Hoje ("No se ajoelhe diante de dolos, nem os adore"). A bem da verdade, convm registrar que diversas verses, quanto ao versculo 5, fazem referncia 
aos deuses, e no s imagens. Deuses e imagens esto to associados que a proibio de no prestar culto a um alcana naturalmente o outro. Imagens e deuses so 
dolos. 
Aprouve a Deus destinar um mandamento s para referir-se s imagens, dolos ou esttuas, objeto de adorao, venerao, culto, honra, homenagens. Assim, Deus descreveu 
quais as imagens que no deveriam ser objeto de culto. Deus exemplificou para no haver dvida. As imagens dos santos catlicos estariam includas nessa proibio?

ANLISE DE XODO 20.4

"No fars para ti" - Entende-se a posse do objeto quando destinado ao culto,  homenagem,  prece,  venerao. Deus no condena as obras de arte, escultura ou 
pintura de valor histrico e cultural. 

"Nem alguma semelhana do que h em cima nos cus" - No encontramos diferenas relevantes de traduo nas verses consultadas. A proibio no alcana apenas as 
imagens dos deuses, mas diz respeito, tambm, ao que existe nos cus: A Trindade (Deus Pai, Deus Filho, Deus Esprito Santo), os anjos e os salvos em Cristo. Logo, 
esttuas de Jesus, dos santos apstolos, de Maria, e de quantos, pelo nosso julgamento, estejam no cu, no devem ser objeto de culto. 

"No te encurvars a elas" - Deus probe qualquer atitude de reverncia ou respeito, tais como inclinar respeitosamente o corpo ou ajoelhar-se diante das imagens; 
prostrar-se com o rosto no cho; toc-las; beij-las; levantar os braos em atitude de adorao; tirar o chapu; ficar em p diante delas em estado contemplativo. 
Enfim, Deus probe fazer qualquer gesto com o corpo que expresse admirao, contemplao, f, devoo, homenagem, reverncia. 

"No as servirs" - No servi-las com flores, velas, cnticos, coroas, festas, procisses, lgrimas, alegria, rezas, viglias, doaes, homenagens, devoo, sacrifcios, 
incenso. No lhes devotar f, confiana, zelo, amor, cuidados. No alimentar expectativas de receber delas amparo, curas e proteo. No coloc-las em lugar de destaque, 
em redoma ou em lugares altos. 

A Igreja de Roma reconhece a proibio, mas decide por no acat-la:

"O mandamento divino inclua a proibio de toda representao de Deus por mo do homem. O Deuteronmio explica: "Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que 
o Senhor vos falou no Horebe, do meio do fogo, no vos pervertais, fazendo para vs uma imagem esculpida em forma de dolo..."(Dt 4.15-16)... No entanto, desde o 
Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituio de imagens que conduziriam simbolicamente  salvao por meio do Verbo encarnado, como so a serpente de 
bronze, a Arca da Aliana e os querubins. Foi fundamentando-se no mistrio do Verbo encarnado que o stimo Conclio ecumnico, em Nicia (em 787), justificou, contra 
os iconoclastas, o culto dos cones : os de Cristo, mas tambm os da Me de Deus, dos anjos e de todos os santos. Ao se encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova 
"economia "das imagens. O culto cristo das imagens no  contrrio ao primeiro mandamento, que probe os dolos. De fato, "a honra prestada a uma imagem se dirige 
ao modelo original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela est pintada. A honra prestada s santas imagens  uma " venerao respeitosa", e no uma adorao, 
que s compete a Deus. O culto s imagens sagradas est fundamentado no mistrio da encarnao do Verbo de Deus. No contraria o primeiro mandamento" (C.I.C. pg. 
560-562, itens 2129-2132, 2141).

ANALISANDO AS EXPLICAES

"O mandamento divino INCLUA a representao de toda representao de Deus por mos do homem".

O mandamento divino inclua? No, mandamento inclui, est vigente. A cruz no aboliu as Dez Palavras. As leis cerimoniais sim, foram abolidas. O Declogo , no varejo, 
o que Jesus disse no atacado: "Amars o Senhor, teu Deus, de todo o teu corao, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento", e "Amars o teu prximo como 
a ti mesmo" (Mateus 22.35-40; Deuteronmio 6.5; 10.12; 30.6; Levtico 19.18). Num corao cheio do amor de Deus e do amor a Deus no h espao para a adorao de 
pessoas ou de coisas. Em Mateus 5.17, Jesus afirma: "No cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; no vim ab-rogar, mas cumprir" (ARC) ou: "No pensem que 
eu vim acabar com a Lei de Moiss e os ensinamentos dos profetas. No vim acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo." (BLH). A seguir Jesus exemplifica 
o novo sentido  lei: se pensar em matar, j pecou e descumpriu a lei; se pensar em adulterar, j pecou. 

"No entanto, Deus ordenou... a serpente de bronze, a Arca da Aliana, os querubins"...

A Arca da Aliana e os querubins passaram. Faziam parte de cerimnias e smbolos institudos por Deus, de acordo com sua infinita sabedoria e soberana vontade, para 
melhor conduzir o povo em sua f. Agora, vindo Cristo, temos "um maior e mais perfeito tabernculo, no feito por mos, isto , no desta criao, nem por sangue 
de bodes e bezerros, mas por seu prprio sangue..." (Hebreus 9.11). 
A serpente de bronze - smbolo to zelosamente defendido pela Igreja de Roma - foi um remdio especfico para um mal especfico numa situao especial (Nmeros 21.7-9). 
Agora, j no precisamos de figuras para nossos males fsicos e espirituais. Como disse Joo Ferreira de Almeida, "o poder vivificante da serpente de metal prefigura 
a morte sacrificial de Jesus Cristo, levantado que foi na cruz para dar vida a todos que para Ele olharem com f". O prprio Jesus assim se manifestou: "E, como 
Moiss levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele cr no perea, mas tenha a vida eterna" 
(Joo 3.14-15). Deus no recomendou o culto, a homenagem ou a venerao  serpente. Por isso, o rei Ezequias, temente e reto aos olhos do Senhor, destruiu-a ao perceber 
que o povo lhe prestava culto (2 Reis 18.4). Ademais, no se v em Atos dos Apstolos qualquer indcio de uso de figuras, cones ou imagens destinados a facilitar 
a compreenso e conduzir os fiis  salvao. 

"... o stimo Conclio ecumnico, em Nicia (em 787), justificou... o culto dos cones : os de Cristo, mas tambm os da Me de Deus, dos anjos e de todos os santos. 
O culto cristo das imagens no  contrrio ao primeiro mandamento, que probe os dolos. De fato, "a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original, e 
quem venera uma imagem venera a pessoa que nela est pintada. A honra prestada s santas imagens  uma " venerao respeitosa", e no uma adorao, que s No contraria 
o primeiro mandamento". 

Ora, se o mandamento probe o culto aos dolos, ento o culto aos dolos  proibido. Desculpem-me os leitores pelo bvio. Portanto, o culto s imagens contraria 
o mandamento. Se contraria,  pecado cultu-las. O Conclio de Nicia justificou, mas so justificativas de homens. A Palavra  o padro. A tradio dever ajustar-se 
 Palavra. A honra ao modelo original via imagem parte de uma premissa falsa, porque as imagens no so em sua grande maioria cpias fiis dos originais, exemplos 
de Jesus, Maria, Jos e dos santos apstolos. Seus traos fsicos no foram revelados nem por fotografias nem por pinturas. Jeremias foi direto: "Suas imagens so 
mentira" (Jr 10.14). 

"A honra prestada s santas imagens  uma " venerao respeitosa", e no uma adorao, que s compete a Deus".

Venerar: "Tributar grande respeito a; render culto a, reverenciar"; Culto: "Adorao ou homenagem  divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religio". 
Adorar: "Render culto a (divindade); reverenciar, venerar, idolatrar" (Dicionrio Aurlio). Como se v,  muito tnue a linha entre honrar, venerar, adorar e prestar 
culto. Diria que no existe essa linha. Vejamos o que Deus afirma: "Eu sou o Senhor. Este  o meu nome. A minha glria a outrem no a darei, nem a minha honra s 
imagens de escultura" (Isaas 42.8). Na Bblia Linguagem de Hoje: Eu sou o Deus Eterno: este  o meu nome, e no permito que as imagens recebam o louvor que somente 
eu mereo." Na Bblia ecumnica, catlica: "Eu sou o Senhor, este  o meu nome: eu no darei a outrem a minha glria, nem consentirei que se tribute aos dolos o 
louvor que s a mim pertence". 

OUTRAS REFERNCIAS<

"No fareis para vs dolos, nem para vs levantareis imagem de escultura nem esttua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu 
sou o Senhor vosso Deus" (Levtico 26.1). 

 "No dia em que o Senhor vosso Deus falou convosco em Horebe, do meio do fogo, no vistes figura nenhuma. Portanto, guardai com diligncia as vossas almas, para 
que no vos corrompais, fazendo um dolo, UMA IMAGEM DE QUALQUER TIPO, FIGURA DE HOMEM OU DE MULHER..." (Deuteronmio 4.15-16). O destaque  meu. 

"As imagens de escultura de seus deuses queimars no fogo. No cobiars a prata nem o ouro que haja nelas, nem os tomars para ti, para que no sejas iludido, pois 
 ABOMINAO AO SENHOR, TEU DEUS" (Deuteronmio 7.25). O destaque  meu. 

"As suas imagens de fundio so vento e nada" (Isaas 41.29b)

"Eu sou o SENHOR; este  o meu nome! A minha glria a outrem no a darei, nem o meu louvor s imagens de escultura" (Isaas 42.8)

"Todo homem se embruteceu e no tem cincia; envergonha-se todo fundidor da sua imagem de escultura, porque sua imagem fundida  mentira, e no h esprito nela" 
(Jeremias 10.14). 

"Arrancarei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas esttuas; e tu no te inclinars mais diante da OBRA DAS TUAS MOS" (Miquias 5.13). O destaque 
 meu. 

"Tambm est cheia de dolos a sua terra; inclinaram-se perante a OBRA DAS SUAS MOS, diante daquilo que fabricaram os seus dedos" (Isaas 2.8). O destaque  meu. 

"Nada sabem os que conduzem em procisso as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que no pode salvar" (Isaas 45.20). 

"Mas o nosso Deus est nos cus e faz tudo o que lhe apraz. Os dolos deles so prata e ouro, OBRA DAS MOS DOS HOMENS. Tm boca, mas no falam; tm olhos, mas no 
vem; tm ouvidos, mas no ouvem; nariz tm, mas no cheiram. Tm mos, mas no apalpam; tm ps, mas no andam; nem som algum sai da sua garganta. Tornem-se semelhantes 
a eles os que os fazem e todos os que neles confiam" (Salmos 115.3-8). O destaque  meu. 

"Eles trocam a verdade de Deus pela mentira e ADORAM E SERVEM O QUE DEUS CRIOU, em vez de adorarem e servirem o prprio Criador, que deve ser louvado para sempre. 
Amm" (Romanos 1.25). O destaque  meu. Anjos e espritos humanos so criaturas de Deus. 

CONCLUSO

A proibio divina abrange:

Qualquer coisa (esttua, imagem, dolo, prespio) produzida por mos humanas. 
Toda a criao de Deus (anjos, pessoas, espritos humanos, corpos celestes, animais). 
Imagens de qualquer uma das trs Pessoas da Trindade. 
Est, portanto, contrrio ao Segundo Mandamento qualquer culto de louvor, adorao, homenagem ou venerao prestado s imagens representativas de pessoas falecidas, 
qualquer que tenha sido o grau de santidade por elas alcanado na vida terrena.

Parte V
Por que eu Nasci? - Um comentrio Antropolgico
APONTAMENTOS SOBRE O LCUO 6 DO LIVRO "DOGMTICA CRIST" DE CARL E. BRAATEN E ROBERT W. JENSON, SO PAULO: SINODAL, 1990 - PP. 324-341 
 
O SER HUMANO
Comearemos este estudo, justificando que foi escolhido o termo "co-criador criado" para articular o que significa a humanidade sob a vontade de Deus. Este termo, 
segundo o livro aqui comentado, fala de dependncia, de poder e autoridade dados por Deus e de liberdade dentro da finitude.

A questo do destino humano aparece-nos como uma compreenso primordial para este estado humano de "co-criador criado". Comenta-se que Nathan Scott aponta corretamente 
para a inteno da estria crist da humanidade: contar-nos quem o ser humano realmente  e lembrarmos que toda a criao e Deus o Criador apiam os seres humanos 
em seus esforos para tornar-se mais plenamente o que so criados para ser. A antropologia crist expe uma compreenso distinta de quem e do que o ser humano . 

O ser humano  criado com um destino. Assim, o autor do livro, explica que foi utilizado este termo "destino" para incluir as conotaes de "vocao" ou "chamamento", 
bem como para apontar para um carter intrnseco que constitui uma dimenso da "natureza" criada do ser humano. Consequentemente, explica-nos o autor, "destino" 
tem as nuanas de dom, determinismo, propsito e alvo. A primeira tarefa da concepo distintamente crist do ser humano  tornar claro que o homo sapiens tem um 
destino, e que se trata de um destino elevado. A Antropologia crist no se isola de qualquer outra fonte de conhecimento sobre o ser humano - das cincias, da experincia 
de todas as espcies, literatura ou arte. O que a concepo crist tem a dizer sobre o ser humano est no contexto do conhecimento recolhido destas outras fontes.

No obstante, no se pode permitir que conhecimento algum de outras fontes oculte ou enfraquea a seguinte assero fundamental da f crist: como pessoas criadas 
por Deus, somos seres cuja origem e destino esto vinculados com este Deus. Tudo que  dito sobre as implicaes da doutrina da criao ex nihilo certamente aplica-se 
aqui: que o ser humano  causado, e no gera a si mesmo, e que  criatura, no criador. E esta verdade comentada no livro Dogmtica Crist, desemboca no fato de 
que, a menos que percebamos o destino divinamente ordenado do ser humano, deixamos, desde o princpio, de compreender quem e o que o homo sapiens . Somente o pressuposto 
do destino elevado confere sentido ao discernimento do pecado e do mal nos seres humanos. 

Desta forma, sem o real conhecimento, ou talvez seja melhor colocar, o real reconhecimento de seu estado real, o homem ou a mulher da atualidade est como algum 
que  condenado  morte em um julgamento que no compreende porque cometeu um crime absurdo que no reconhece. 

O tema atravs do qual reunimos as vrias afirmaes da tradio crist sobre a criatura humana e que expressa o sentido delas  o do co-criador criado. Este tema, 
como o prprio autor de Dogmtica Crist o descreve,  novo em sua formulao. Formalmente, o destino humano  levar  consumao a posio dada ao ser humano na 
criao - colocado por Deus o Criador na posio preeminente do ecossistema. 

A espcie humana  claramente distinta de todas as outras espcies, mas tambm est intimamente relacionada ao resto da criao. Esta relao  em parte externa; 
o homo sapiens depende de todos os outros elementos do ecossistema, assim com a espcie contribui reciprocamente para o mesmo ecossistema. Mas ela  tambm interna. 
Os elementos do mundo, convergindo naquela "sopa primordial" da qual surgiram todas as criaturas vivas, so os elementos do ser humano; cada tomo do corpo humano 
esteve em outro lugar no universo antes que veio a repousar no homo sapiens. Percebe-se com isto, a afirmao de que o homem faz parte do todo do universo, das coisas 
criadas.

Mas, como exposto na obra aqui apreciada, o homo sapiens  distintivo no tocante a seis caractersticas importantes: conscincia, autoconscincia, a capacidade de 
fazer avaliaes, a capacidade de tomar decises com base nestas avaliaes, a capacidade de agir livremente de acordo com estas decises e a capacidade de assumir 
responsabilidade por tal ao. Tal ao autoconsciente e livre torna-se uma espcie de atividade criadora, um co-criador com Deus. Porm, lembrando-nos dos nossos 
limites, diz-nos o texto o seguinte: os seres humanos no podem atribuir-se arrogantemente o mrito de serem co-criadores; foram criados co-criadores.

Ser co-criador significa que o homo sapiens toma parte consciente e responsavelmente na formao do mundo e seu desdobramento em direo a sua consumao final sob 
Deus. O criar de Deus  a norma para o co-criar humano - no no sentido de que o homo sapiens deva igualar sua atividade  de Deus, mas, antes, no sentido de que 
a atividade humana  perversa se no se qualifica afinal como participao na extenso da vontade primordial de criao de Deus. Expresso desta maneira, o status 
criado do ser humano  completamente escatolgico; isto ,  um desencadeamento, no um dado plenamente desenvolvido que simplesmente tem de ser reiterado e copiado 
ao longo do tempo. O homem no  um ser j completo em perfeio criativa e criadora, ele estava em fase de desenvolvimento pessoal em Ado, que perdeu o rumo da 
desenvoltura humana atravs do pecado, e que em Cristo, o modelo real e j perfeito, encontramos o rumo para o pleno desenvolvimento, porm, com uma melhor viso, 
pois o nosso modelo, Cristo,  o Homem com perfeio criativa e criadora. 

Nos  sugerido, desta maneira, que este carter de co-criador  o que significa ser " imagem de Deus". Ser apto a tomar decises autoconscientes e autocrticas, 
agir com base nestas decises e assumir responsabilidades por elas - estas so as caractersticas das quais  composta a imagem de Deus em ns. 

Quando os seres humanos ponderam seu status de co-criadores, reconhecem que ele inclui a liberdade de conceber aes e execut-las. Tornando assim, ao meu ver, o 
ser humano mais responsvel, alis, Deus  Deus responsvel por Seus prprios atos, assim, como imitadores de Deus, devemos nos responsabilizar por nossos prprios 
atos tambm! H ento a responsabilidade por viver com as consequncias da ao, ainda que comprovem ser indesejveis. 

Ser co-criador significa que precisamos continuar a viver com a deciso e exercer nosso carter de co-criadores responsveis, que a deciso comprove ser desejvel 
ou indesejvel.

Agora, provm disto uma questo tambm fundamental, como descrito na obra aqui comentada, que  o fato de que tal deciso livre e responsvel  limitada. Ao exercer 
a imago Dei, ao por em prtica nosso carter de co-criadores, esbarramos no fato de nosso ser-criado. Daqui vem a conscincia de que, apesar de sermos livres no 
ato co-criador, temos os limites impostos por sermos criaturas!

Quando ponderamos tais consideraes, vimos a saber que nosso pecado  tanto nossa compreensvel relutncia em aceitar nosso status de co-criadores quanto nossa 
execuo falha de nosso carter de co-criadores. Este pecado  tanto original quanto atual. 

Surge, desta discusso, uma outra problemtica, que  a da condio primordial do ser. Na atualidade  quase universalmente sustentado entre os telogos que as narrativas 
e conceitos que temos a respeito de Ado e Eva no paraso so lendas e mitos. A idia de seres humanos vivendo em um abenoado estgio primordial antes da queda 
 encarada como especulao potica, no como histria. Porm, poesia ou no, estes mitos nos contam muita coisa essencial  antropologia crist. S uma criatura 
de estatura muito grande seria descrita como "cada". Como diz Tillich: "Simbolicamente falando,  a imagem de Deus no homem que oferece a possibilidade da queda. 
Somente aquele que  imagem de Deus tem o poder de separar-se de Deus."
Toda a riqueza da criao, na terra e no mar, estava pronta, e ningum estava l para compartilhar dela. Quando toda esta beleza natural estava formada, ento, e 
s ento, era apropriado que o ser
humano entrasse em cena. Falando sobre isto, Gregrio de Nissa (sculo IV) diz: "...no era de se esperar que o governante aparecesse diante dos sditos de seu governo; 
no entanto, quando seu domnio estava preparado, o prximo passo era que o rei se manifestasse. (...) Por esta razo o homem foi trazido ao mundo por ltimo, depois 
da criao..."

No  popular, hoje em dia, falar do ser humano como "coroa da criao". Mas, partindo dos princpios expostos no captulo aqui mencionado do livro Dogmtica Crist, 
a concluso a ser tirada  de que os seres humanos so dotados de um nobre destino, mas tambm so investidos de grande responsabilidade, e desta forma, creio poder 
referir-me ao homem como "coroa da criao"! 

A imagem de Deus (imago dei) apresenta uma imagem fundamental do ser humano como ser-com-um-destino. Alguns telogos at sugeriram que o termo fosse extirpado do 
vocabulrio teolgico, to frustrante  sua interpretao. A exegese de Gnesis  ela mesma o campo de batalha de variadas interpretaes da imago dei. Clauss Westermann 
arrola os seguintes grupos de opinies existentes na histria da interpretao (porm, apoiando a quinta opo):

1) Aqueles que distinguem entre semelhana natural e sobrenatural com Deus;
2) Aqueles que definem a semelhana em capacidades ou aptides espirituais;
3) Aqueles que interpretam-na como forma externa;
4) Aqueles que discordam incisivamente de 3;
5) Aqueles que interpretam o termo como denotativo de que o ser humano  o correlativo de Deus, algum que corresponde a Deus;
6) Aqueles que interpretam a imago como o status do ser humano como representante de Deus na terra.

Os exegetas do N.T. muito pouco fizeram a respeito do termo, mas a principal concluso  de que Cristo  a imagem de Deus (eikon tou theou) e, portanto, a imagem 
para dentro da qual so formados os seres humanos.
Podemos inferir na histria do conceito, como nos  apresentado em Dogmtica Crist, duas categorias, ou dois grupos de interpretaes. No primeiro grupo, podemos 
colocar os apologetas do sculo II, que identificavam a imago com a liberdade da vontade, a capacidade para a bondade, a responsabilidade moral e a razo, e tambm, 
o domnio humano sobre a terra. 

O segundo grupo de intrpretes considera que a imagem de Deus se refere ao fato da relao com Deus, de co-responder a Deus, de ser o correlativo de Deus, como diz 
Westermann. Agostinho  o representante monumental desta posio, pois ele aponta para o carter trinitrio da vida psquica humana como uma grande analogia (analogia 
entis) da via trina de Deus. O ser humano no foi, como os outros animais, "criado segundo a sua espcie", mas, antes, criado  imagem e semelhana de Deus. Por 
isso, Deus no disse: "Seja feito o homem", mas antes: "Faamos o homem". Tambm no disse: Segundo sua espcie", mas segundo "nossa imagem" e "semelhana". 

Lutero, mencionando sobre este assunto, disse que Ado tinha a imagem de Deus em seu ser e que no somente conhecia a Deus e cria que ele era bom, mas que tambm 
vivia uma vida que era totalmente piedosa; isto , no tinha medo da morte ou de qualquer outro perigo e estava contente com o favor de Deus. Nesta forma ela se 
revela no exemplo de Eva, que fala com a serpente sem medo algum. A serpente  smbolo da morte, e antes do pecado, o ser no teme a morte, mas teme a Deus, porm, 
depois da queda de Ado todos os homens propagados segundo a natureza nascem com pecado, isto , sem temor de Deus, sem confiana em Deus e com concupiscncia. Temor 
e confiana em Deus so os critrios da imago dei por sua presena e do pecado por sua ausncia. Desta forma, o homem sem a imagem de Deus, caracteriza-se pelo pecado, 
e o homem que tem, por Cristo, a imagem de Deus,  caracterizado pelo temor e pela confiana em Deus.

Lutero critica Agostinho e outros telogos antigos porque suas descries da imagem de Deus fomentam "obras". Westermann critica boa parte da tradio porque ela 
fala de atributos ou qualidades da natureza humana como a imago em vez da relao com Deus. E  assim que o dilema sobre a imago dei seguiu-se histria afora.
No desenvolvimento destas discusses sobre o homem, surge tambm uma questo de importncia fundamental  antropologia, que  a relao entre esprito e matria 
na criatura humana. A constituio do ser humano foi objeto de grande preocupao para a tradio crist. Gregrio de Nissa expressa o pensamento de muitos telogos 
antigos ao falar do ser humano como fator intermedirio entre o mbito terreno, animal, e o mbito espiritual de Deus. Ao que parece, passa-se a ver o homem como 
um intermedirio, dentre a criao, entre Deus e as demais coisas criadas. 

Podemos resumir um volumoso corpo de material histrico dizendo que "esprito" (pneuma, ruah) se refere em geral  prpria vida,  distino de "corpo", enquanto 
que "alma" (psyche, nefes) se refere a vida assim como ela ocorre em um organismo particular, concreto, sendo este organismo o meio da ao da alma. Todos os corpos 
humanos possuem esprito, e o esprito manifesta-se dentro da alma do indivduo.
Falamos de uma viso "tricotmica" ao falarmos de corpo, alma e esprito, enquanto que uma viso "dicotmica" somente conhece corpo e alma. A concepo dicotmica, 
segundo o livro comentado neste trabalho, tem prevalecido na teologia crist.
A "preexistncia" sustenta que as almas vm a este mundo a partir de algum material de alma preexistente. E, penso eu, que este  at um dos motivos que me levam 
a crer mais na "tricotomia" do que na "dicotomia". Mas, Lutero, por exemplo, j as contestou porque acreditava que a criatura humana  um ser unitrio perante Deus. 

Em acrscimo a esta considerao teolgica, a compreenso contempornea do ser humano e da estrutura da personalidade humana no permite uma perspectiva dicotmica 
ou tricotmica, exceto metaforicamente. Requer-se uma perspectiva evolutiva moderna. Esprito ou mente e corpo ou matria so vistos como parte do mesmo processo, 
e no como entidades separadas para a modernidade. Em termos fisiolgicos, o esprito  uma funo do crebro que no  nem imaterial nem no-material, mas que  
matria na forma que pode tornar-se esprito. Robert Francoeur descreve isto como uma espcie de "monismo evolutivo".

Para os telogos na tradio da Reforma, o ser humano  uma criatura una, uma criatura da natureza, criada com uma relao especial com Deus o Criador e com a capacidade 
de perceber esta relao e de viver uma vida de resposta a Deus. 
Mas, desencadeou-se, daqui, um outro fator conflitante, mencionado neste livro Dogmtica Crist, que  a complexidade do homem com a queda e o pecado original ("status 
corruptionis" - estado de corrupo). 

Conforme o mito da queda, a imago dei est parcialmente intacta mas gravemente danificada, de forma que uma restaurao se faz necessria. Algumas importantes tradies 
orientais, tais como as da Igreja siraca, consideravam o pecado uma causa da queda, no sua consequncia. Seguindo por este ensinamento, chegamos a uma resposta 
impressionante, talvez mais do que impressionante, extica, que  a concluso, ento, que primeiramente Ado perdeu a imagem de Deus, da sim, pecou. Tais concepes 
so estranhas  tradio ocidental e  teologia da Reforma em particular. 

O pecado e o mal no devem ser identificados com a humanidade, mesmo aps a queda. Para os luteranos, isto  afirmado no primeiro artigo da Frmula de Concrdia. 
Para Johann Gerhard,  quando a imago se refere  justia e santidade que a imagem de Deus  perdida na queda.

Surge, daqui, a necessidade de restaurao. Deus, em Jesus Cristo, restaurou a humanidade  reconciliao com seu Criador. A recuperao da dimenso da escatologia 
na f crist, que teve lugar desde 1900, nos lembrou que a restaurao da humanidade no  um retorno ao den. Pois ao que percebe-se, o qual j foi comentado acima, 
Ado no era perfeito, estava se desenvolvendo quando foi barrado pelo pecado, enquanto Cristo venceu o pecado e a morte, tornando-se em tudo o modelo perfeito e 
completo  nossa restaurao final.
As contestaes  antropologia crist, comentadas na obra aqui apreciada, so de grande valia para o desenvolvimento deste assunto. A concepo crist do ser humano 
 atacada de todos os lados. E, vejo que quando somos atacados, pensamos em nos defender, e assim, surgem as certezas diante das dvidas. 

Uma das contestaes mais perversas e potencialmente devastadoras, vem da incapacidade amplamente difundida de aceitar a elevada concepo do destino humano como 
o expe a teologia crist. Dogmtica Crist menciona aqui duas fontes desta contestao: o conhecimento cientfico emergente e a concepo de que o mal  intrnseco 
 natureza humana.

Nosso conhecimento emergente de ns prprios desafia nossa capacidade de aceitar-nos como criaturas  imago dei. Pensamos nas descries de Gregrio de Nissa: pureza, 
liberdade, da paixo, amor, intelecto. Podem os seres humanos olhar hoje para si mesmos e ler a imagem de Deus a partir da lista destes atributos?
Assim, o autor do livro aqui comentado assevera que, dizer, com os luteranos e com Westermann, que uma olhadela introspectiva em ns mesmos nunca revelar atributos 
da imago, que precisamos, em vez disso olhar para a nossa relao total com Deus enquanto criaturas correspondentes, que dependem de Deus e ainda assim se rebelam 
contra a dependncia - tambm isto no  de muito auxlio em nosso dilema. Enquanto nos virmos em toda a nossa complexidade servindo a mecanismos imediatos de sobrevivncia, 
em nveis diversos, no ser possvel ver-nos como criados  imago dei.

Muitos crticos acusaram o cristianismo de uma irresponsabilidade ecolgica essencial, quer com respeito ao ecossistema natural e fsico, quer com respeito  rede 
intrapessoal de relaes. A antropologia crist foi acusada de antropocentrismo, de uma preocupao por dominar (s vezes em atitudes destrutivas, irresponsveis) 
e de uma compreenso de que nada tem valor alm do ser humano.

Porm, como nos  assegurado no livro que c comentamos, esto em andamento esforos para remodelar certos aspectos da concepo crist na direo da responsabilidade 
ecolgica em relao ao mundo fsico e ao mundo dos seres humanos  nossa volta. De forma alguma devemos separar-nos dos ecossistemas em que vivemos, nos movemos 
e temos nosso ser. Para muitos cristos, no  coisa fcil manter a glria de Deus como Criador e, ao mesmo tempo, reconhecer o mrito dos processos imediatos da 
criao.

Um dos problemas mais lamentveis na tradio crist de pensamento  o da sexualidade e das relaes entre sexos. H pouca dvida de que com demasiada frequncia 
a sexualidade e a relao homem/mulher so descritas de formas que rebaixam o corpo, o elemento fsico da vida humana, e a mulher. Gregrio de Nissa escreveu que, 
j que Paulo nos escreveu que em Cristo no h homem nem mulher, a criao original no deve ter includo diferenciao sexual. J que o prottipo do ser humano, 
Cristo, no permitiu a sexualidade, a diferenciao sexual deve ser subsequente  queda, juntamente com a multiplicao sexual. Gregrio ainda diz que a sexualidade 
existia no den, mas era governada pela vontade, no pelo desejo ou pela paixo. O desejo sexual no casamento no era pecado, mas era o transmissor do pecado. Martin 
Chemnitz parafraseia Agostinho na seguinte passagem e aceita as idias de Agostinho como normativas: "No matrimnio h duas coisas que so boas e de ordenao e 
de instituio divinas, mas h tambm um desejo no casamento sem o qual no h multiplicao, e por causa deste desejo as crianas nascem em pecado." A partir desta 
idia, o pecado original parece ser passado de pessoa a pessoa no ato de desejo sexual. Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta aos "sacerdotes" romanos: "se, apesar 
de conseguir-se viver no celibato, no se consegue extinguir o desejo, como dizer que um padre, ou at mesmo o papa  melhor do que outro homem qualquer?" desta 
maneira, os problemas que teve nossa tradio ao interpretar as relaes homens/mulheres so bem conhecidos.

Enfim, este captulo do livro Dogmtica Crist termina, dizendo seu autor que, como sugeriu o exame em seu livro, o ser humano foi criado material e este material 
desenvolveu o esprito. Denegrir o terreno  enfraquecer os fundamentos materiais do esprito. E ele ainda reconhece que esta percepo ainda precisa ser incorporada 
de uma forma lcida, que possa capacitar a doutrina crist a conceber a unidade esprito-matria da criao.

"Se o homem no sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe ser favorvel"
(Sneca, filsofo latino, 4 a.C. - 65 d.C.)

Parte VII
A Igreja  de Cristo, j a Poltica... Bem, a Poltica  nossa!
Breve comentrio sobre antropologia social 
 
APONTAMENTOS SOBRE O LIVRO "TICA & ESPRITO PROFTICO: REVISANDO A HISTRIA COM PAUL TILLICH" - DE JORGE PINHEIRO. 1 ED. SO PAULO: COLEO IGREJA SEM FRONTEIRAS, 
2002

INTRODUO

Jorge Pinheiro acredita que a teologia tem algo a dizer sobre a realidade brasileira. E assim, justifica esta obra, dizendo que seu objeto  o pensamento poltico 
da Convergncia Socialista, conforme expresso no jornal Versus.
Referindo-se  metodologia do seu trabalho, Jorge Pinheiro diz que sua obra tem por base os escritos socialistas de Paul Tillich, sendo assim, a idia-chave, como 
ele mesmo escreve,  a tica em Paul Tillich. 

Paul Tillich definir o homem do sculo 20 como autnomo, mas inseguro dentro de sua autonomia. Partindo deste princpio, o professor Jorge Pinheiro diz que, metodologicamente, 
a sua inteno foi compreender a relao que Tillich construiu entre tica e conceitos como esprito de profecia, autonomia e teonomia, e o papel das massas na transformao 
social. 

I. TEOLOGIA E SOCIALISMO

O professor Jorge comea explicando que para Paul Tillich, o protestantismo existe onde quer que se proclame o poder do novo ser.  a que se encontra o protestantismo 
e em nenhum outro lugar. E diz que talvez, a maioria das pessoas experimente, hoje em dia, a situao-limite mais fora do que dentro das igrejas.
Diversos mestres, diferentes poderes csmicos, reinam em tempos diferentes, e o Senhor que triunfa sobre anjos e poderes, reina no tempo pleno de destino e de tenses, 
que se estende entre a Ressurreio e a Segunda Vinda, esta  a formulao de Jorge Pinheiro sobre o andamento histrico dos planos de Deus. 

Para que fique melhor compreendido, Jorge Pinheiro assevera que o conceito de situao-limite, que se traduz como ameaa final  existncia,  o diferencial do protestantismo. 
Desta forma, a justificao pela f , ento, melhor entendida a partir da situao-limite. Por isso, toda tica transporta a Deus e ao mundo, que em ltima instncia 
so o bem decisivo de nossa existncia concreta. 

Jorge lembra-nos tambm que o cristianismo no pode ser identificado com um tipo determinado de organizao social em detrimento de seu carter transcendente e universal. 
E ainda afirma que  exatamente por isso que apresenta-se como "capenga" toda forma de cristianismo que se fecha na pura interioridade. Para ele, a tica do amor 
faz a crtica da ordem social que est erigida sobre o egosmo poltico/econmico, e proclama a necessidade de uma nova ordem, na qual o sentido de comunidade seja 
o fundamento da organizao social.

Vista assim, Jorge Pinheiro diz que a tica do amor prega a submisso dos povos, sejam ricos ou pobres,  idia do direito, e  construo de uma conscincia comunitria, 
soldada sobre a paz, que leve a um internacionalismo real entre as nacionalidades. Referindo-se  histria da Igreja, tanto no passado como no presente, Jorge diz 
que esta  passvel de muitas crticas, pois a situao criada pela igreja em alguns pontos da histria, facilita e potencializa a pregao do atesmo e do materialismo. 
Jorge Pinheiro afirma que  do interior do cristianismo que brota o socialismo e que um socialismo sem estes pressupostos  uma "quimera", e que aqueles que defendem 
o socialismo devem defender tambm os princpios sobre os quais ele repousa. 
Explicando sobre a autonomia, o professor Jorge diz que, do lado positivo, ela significa o reinado da razo. E a vida econmica tambm deve ser formulada racionalmente. 
Assim sendo, o professor diz que o que fica claro  que autonomia e socialismo so processos histricos que se complementam, mas que no so idnticos. Desta forma, 
os elementos formadores do movimento socialista so fundamentais para a compreenso das relaes entre cristianismo e socialismo. Eles abrem a possibilidade para 
um dilogo construtivo entre cristianismo e socialismo.

Quanto ao protestantismo, Pinheiro diz que este quebrou o sistema de autoridade em seu princpio-base e deu voz  autonomia. As frmulas pela graa somente e pela 
f somente transportam juntas vida e esprito ao domnio do conhecimento e rejeitam todo legalismo, todo farisasmo de ter a posse da verdade absoluta e de querer 
impor tal verdade aos outros. Assim, o cristianismo traduz uma vontade de dar forma ao mundo de maneira imanente: o reino de Deus vem ao mundo. 

E,  com a experincia da imanncia que surge mais claramente a oposio entre o socialismo e o cristianismo, j que o cristianismo est comprometido, enquanto religio, 
com o l em cima, e o socialismo voltado para o aqui embaixo. Porm, lembra-nos Jorge Pinheiro que esta oposio no est correta, pois o esprito religioso est 
vivo no movimento socialista:  uma vibrao religiosa que circula atravs das massas. 
Uma pergunta muito importante, feita aqui,  a seguinte: "que relao existe entre o tempo presente e o esprito proftico?" A resposta que  nos dada pelo seu autor 
 que o tempo presente seria, ento, parte de uma situao mais geral. O momento presente estaria enquadrado no caminhar do processo histrico. Partindo daqui, pode-se 
dizer que existiram homens que interpretaram a situao espiritual de uma poca dada. Eis aqui, para Jorge Pinheiro, o ponto de interseo entre o tempo presente 
e o esprito proftico. Os profetas nada fazem sem invocar a tradio, no entanto, sua grande mensagem so os novos tempos. Os profetas sabiam se servir do passado 
para as necessidades do presente. Eles no eram saudosistas com mensagens anacrnicas, mas eram participantes da histria como um processo que se desenvolve, que 
evolui, e no regride. 

A referncia ao Kairos significando tempo concludo, o instante concreto e, no sentido proftico, a plenitude do tempo, a irrupo do eterno no tempo, leva-nos a 
considerar este tempo como aquele de uma deciso inevitvel, de uma responsabilidade inelutvel, na verdade,  consider-lo enquanto esprito da profecia. Tillich 
mostra, a partir daqui, que reao e progresso esto entrelaados na conscincia de kairos, e que  esse entrelaamento que leva ao caminho da utopia. Sem o esprito 
utpico no h protesto, nem esprito proftico. A idia do kairos nasce da discusso com a utopia. Assim, a realizao da viso proftica se encontra alm do tempo, 
l onde a utopia desaparece, mas no a sua ao. Isto implica em que, segundo Tillich, toda mudana, toda transformao exige uma compreenso do momento vivido que 
v alm do meramente histrico, do aqui e agora. 

Agora, falando sobre a massa, Jorge diz que, em termos formais, ela consiste numa associao de pessoas que, na associao, deixam de ser indivduos. Sua individualidade 
se perde e ele se submete  coletividade. Assim, a massa no sabe porque faz aquilo que faz. A massa  imediata, vive inteiramente o presente, sem ligaes com o 
passado ou o futuro, sem lembranas ou reflexes. Suas motivaes so irracionais. E por isto, o professor Jorge Pinheiro nos alerta que, a amplificao pode levar 
ao monumental e ao herosmo, mas tambm ao demonaco e  destruio. Quando objetivamente a massa vive esse processo de espiritualizao, nela, religio e cultura 
se misturam. A esse primeiro momento de evoluo da massa Tillich chama de massa mstica. Uma Segunda etapa  marcada pela autonomia da cultura. A partir da surge 
a perspectiva de uma etapa final, onde a massa e a individualidade pessoal formaro uma nova unio, uma sntese nova, chamada massa orgnica e daqui cria-se a massa 
dinmica, que  sempre revolucionria. Estes movimentos so sempre considerados como movimentos de libertao. 

II. O VERSUS SOCIALISTA

O jornal Versus era um mensrio de inspirao cutural-existencial, com uma proposta de ao atravs de uma cultura de resistncia, mas foi reelaborado com uma linguagem 
mtica. Suas informaes no passavam pelo crivo da censura. Este jornal foi criado pelo jornalista gacho Marcos Faerman. O primeiro nmero saiu em outubro de 1975 
e tinha um imaginrio de esquerda. Em janeiro de 1978, o jornalista Jorge Pinheiro, recm chegado do exlio, entra para o jornal.

A greve no ABC, publicada pelo jornal Versus,  vista, entre as outras, como um processo de ajuda  transformao social. Era uma forma de no aceitar as foras 
demonacas daquele tempo.

Na luta contra os deserdados, Versus diz que o homem branco pregou, por muito tempo, a doutrina vazia da fraternidade, que no significa mais do que o negro aceitar 
passivamente o seu destino. E era contra esse comodismo que o jornal queria alertar.
Quanto a busca de novos contedos, Jorge Pinheiro menciona que no existe conceito que no seja ameaado pela esclerose, porque todo processo de vida tem tendncia 
a envelhecer. Por isso, so as tenses que desafiam os processos a se superarem e manterem-se vivos. E, um movimento histrico est morto se ele est apenas consigo 
mesmo, quando no pode se separar de si mesmo, nem ir alm de si mesmo. Partindo-se deste princpio, o movimento histrico deve superar-se mediante a dialtica progressiva 
com as situaes imediatas e passadas. Os velhos crentes, segundo Jorge Pinheiro, essa cpula sacerdotal, conduzem ao endurecimento e s idolatrias. 
Mas, o novo, o futuro, a mudana no gera riscos? Perguntaramos! Sim, mas, o risco, para Jorge, nunca deixa de existir, porque viver  avanar no indeterminado. 
Assim, surgem dois pensamentos sobre esta situao:

1) O radicalismo - onde o risco  bem diferente. O radicalismo  uma idolatria de signo contrrio. Nega a tradio e deseja arriscar porque acredita que no risco 
est a realizao daquilo que espera.  mais, ao que parece, um movimento irresponsvel;
2) A ortodoxia - no arrisca em hiptese alguma. Se prende aos conceitos porque procura aquele lugar onde a mobilidade  menor.

Em meio a estes dois pensamentos, qual a melhor posio? Percebe-se que, segundo Jorge Pinheiro e tambm Paul Tillich, a melhor postura ser a de mediao. Esta 
postura  a que deve ser tomada no socialismo religioso. E este movimento  mais que um movimento poltico. Na realidade,  um movimento mais profundo do que imaginamos, 
e quando percebemos a sua profundidade, diz Jorge Pinheiro, percebemos tambm sua universalidade. 

III. SOCIALISMO E CRISTIANISMO

Jorge diz que o Versus socialista tem uma clara e expressa empatia com o cristianismo. E ainda menciona que Luther King, conhecia o pensamento de Tillich, sendo 
ele muito mencionado com admirao pelo jornal Versus. 
Se assim , o professor Jorge Pinheiro diz que o cristianismo est eticamente obrigado a fazer uma escolha: ou participa do processo, inspirado e atuando a favor 
desse desenvolvimento ou se retrai e entra em processo de caducidade, ao afastar-se da vida real das comunidades nas quais est inserido. O grande pecado da sociedade 
atual, para Versus, chama-se sistema capitalista. E  contra este pecado social que a igreja deve ajudar a lutar. 
Apesar de o socialismo e o proletariado estarem muito unidos, Tillich no idolatra este ltimo! Na verdade, como mencionado no livro ao qual estou a comentar, no 
se pode erigir o proletariado em messias ou ainda fazer positivamente da situao proletria o lugar de onde sair a soluo para o problema do sentido. A luta proletria, 
com isto, torna-se um dos meios de transformao da sociedade, e no a base. 

IV. DIANTE DA SITUAO-LIMITE

A afirmao feita por Jorge Pinheiro, neste captulo,  de fundamental importncia, quando ele diz que  impossvel buscar o sentido da vida sem fazer a defesa da 
vida. E, assim como cita o jornal Versus, em agosto de 1978, a assistente social Maria Benedita Salgado Arcas, j denunciava: "O problema no  o menor abandonado, 
mas as famlias abandonadas. O verdadeiro problema  a carncia das famlias." Assim,  dito a cada um de ns, no livro tica & Esprito Proftico que, era necessria 
uma transformao da estrutura scio-brasileira.

O nome de Lula, lder sindical metalrgico, segundo Jorge Pinheiro, comeou a ser conhecido no pas no dia 12 de maio de 1978, a partir da cidade de So Bernardo 
do Campo, em So Paulo. Versus de outubro de 1978 afirmava que depois de muito tempo, 14 anos, os trabalhadores conquistam um direito que sempre foi seu: greve. 
A importncia dessas greves, segundo Versus,  que elas conseguem levantar um protesto operrio ligado  luta de classes. E a luta de classe, conforme diz Jorge, 
 uma realidade demonaca enquanto tendncia destrutiva do sistema. 
A nica coisa que o trabalhador tem em mos, para Jorge Pinheiro,  a sua unio. E, quando o trabalhador se une com outros trabalhadores para protestar contra a 
sua situao, ele se sente um combatente do reino de Deus, conforme Tillich, ele se sente investido de uma condio messinica, para ele e para a sociedade de conjunto. 
Desta maneira, Versus fomenta os trabalhadores a que se organizem em partido para enfrentar politicamente o regime militar.

O princpio proftico e o marxismo, para Jorge Pinheiro, partem de interpretaes capazes de ver sentido na histria. Com isto, o professor diz-nos que h um desafio 
tico, apaixonado, referindo-se ao pensamento de Tillich, das formas concretas de injustia, que levanta um protesto, o punho ameaador, contra aqueles que so responsveis 
por este estado de coisas. Concluindo esta linha de pensamento, Jorge Pinheiro afirma que tanto o profetismo como o marxismo acreditam que a transio do atual estgio 
da histria em direo a uma poca de plena realizao se dar atravs de uma srie de eventos catastrficos, que culminar com o estabelecimento de um reino de 
paz e justia. 
Comentando-se sobre o homem, existem duas vises sociais anlogas apresentadas em tica & Esprito Proftico:

1) O marxismo - onde o homem no  o que deveria ser, sua existncia real contradiz seu ser essencial, explica Tillich. A idia da queda est presente no marxismo;
2) O cristianismo - o ser humano alienou-se de seu destino divino.

E ambas vm o homem como ser social, responsvel pelo bem e pelo mal. 

V. A INTELIGENTSIA E O PT

At meados de 1978, o Versus propunha a construo de um Partido Socialista. Mas, a partir das greves do ABC, Versus passa a defender a formao de um Partido dos 
Trabalhadores, sem patres. Eles apostavam, com isto, num tempo "kairtico". 
O trabalhismo  apresentado neste ponto como uma espcie de irmo gmeo do sindicalismo. Diante disto, Jorge Pinheiro v a necessidade de reintegrar o contingente 
marginal da populao  vida do Pas. Afirma-se tambm, conforme o exposto no livro aqui comentado, que no se pensa em defender partidos sectrios. 
O problema de Versus, como expe Jorge Pinheiro,  que, por este jornal ser marxista, no entendia que a corrupo estava tambm localizada nas profundezas do corao 
humano.

VI. TICA E ESPRITO PROFTICO

Jorge Pinheiro assevera-nos que no se pode fundar uma tica protestante apenas sobre o terreno da individualidade. Diz ainda que, no podemos esquecer que o cristianismo 
tem mais afinidades com o socialismo do que com qualquer outra forma de organizao social. E, na unio de cristianismo e socialismo, chega-se  concluso de que, 
a partir do amor cristo, vemos que o ser humano no foi criado para a produo, mas a produo para suprir necessidades humanas. 
O socialismo como um ideal tico que traduz anseios e esperanas dos mais variados setores da sociedade, conforme Jorge, pode ser aceito e ajudado pelo cristianismo. 
Pois o kairos cristo , em sua essncia, aquele que faz a irrupo no tempo, sem contudo fixar-se nele. Essa  a massa mstica, comentada anteriormente, a qual 
Tillich descreve. 

Diante do protesto, Jorge Pinheiro fala-nos que o protestar e o clamor do profeta no so vida, mas visam restaurar a vida sob ameaa na situao-limite. Diante 
desta situao, o profeta no  aquele que pe um fim em uma posio social em detrimento a outra, mas sim,  antes de mais nada, aquele que medeia as posies mostrando 
um comportamento existencial comprometido com o bem social. 
Um bom lembrete dado em tica & Esprito Proftico  que o Partido dos Trabalhadores no estava nos planos do governo. E  por este fato de o PT ter surgido como 
o elemento surpresa, que ele  considerado, por Jorge Pinheiro, como algo que surgiu dentro do kairos. 

CONCLUSO

Assim, o PT  visto pelo professor Jorge Pinheiro, como o fruto de um momento especial, o tempo qualitativo (kairos). A construo deste partido, dependeu exclusivamente 
das atitudes dos prprios trabalhadores. Enfim, em 16 de junho de 1979, diante desse momento histrico, desaparece o jornal Versus.

     
Estude com f depois de ter terminado os seus estudos, envie seu questionrio com as respostas devidas para o endereo de e-mail: teologiagratis@hotmail.com, se 
assim quiser, logo aps respondido e corrigido o questionrio, alcanando media acima de 7,5, solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista 
formado, tambm poder solicitar estagio missionrio em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil 
ou Fenipe, que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministrio poder solicitar a sua ordenao por uma de nossas organizaes filiadas no Brasil ou no 
exterior, assim voc poder tambm receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministrio de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta apostila tem 61 pagina 
boa sorte.

Sem nadas mais graa e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos.

Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira 
Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida
Presidente da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe
 



1
Reverendo Pastor Antony Steff Gilson de Oliveira  Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida  - teologiagratisparatodos@hotmail.com e www.teologiagratisparatodos.com.br 
